Mulher de 58 anos, hipertensa e portadora de sobrepeso é admitida na emergência com dor torácica opressiva de início há cerca de uma hora após estresse emocional, sendo iniciado protocolo de dor torácica. Seu médico assistente pretende estratificá-la de forma não invasiva com angiotomografia de artérias coronárias. Uma condição que torna essa abordagem inadequada é:
- A)probabilidade pré-teste baixa de isquemia coronariana aguda;
Errada, porque probabilidade pré-teste baixa é justamente um cenário em que a angiotomografia pode ser útil para excluir doença coronariana.
- B)marcadores de necrose miocárdica negativos;
Errada, porque marcadores de necrose miocárdica negativos não tornam a angiotomografia inadequada; eles podem até aparecer em quadros sem infarto, como angina instável.
- C)histórico de vasoespasmo coronariano;
Errada, porque histórico de vasoespasmo coronariano não contraindica por si só a angiotomografia, embora não seja o exame que melhor explica todos os mecanismos de dor torácica.
- D)eletrocardiograma com alterações inespecíficas do segmento ST;
Errada, porque alterações inespecíficas do segmento ST não impedem a realização da angiotomografia; o exame ainda pode ser considerado conforme o risco clínico.
- E)angina instável de alto risco.
Certa, porque angina instável de alto risco exige estratégia mais agressiva e, em geral, avaliação invasiva, tornando a angiotomografia inadequada como triagem.
Gabarito: E
A angiotomografia de artérias coronárias é um exame útil para estratificar dor torácica em pacientes selecionados, principalmente quando a probabilidade de doença coronariana aguda é baixa ou intermediária e o objetivo é excluir obstrução com boa segurança. Ela funciona bem quando o cenário clínico é mais estável, porque ajuda a olhar a anatomia das coronárias sem precisar ir direto para um exame invasivo. O problema é que, quando o quadro sugere síndrome coronariana aguda de alto risco, o tempo não é amigo da estratégia anatômica não invasiva. Nessa situação, o paciente precisa de abordagem mais rápida e resolutiva, muitas vezes com estratégia invasiva, porque a chance de evento importante é maior e a conduta não deve ficar “esperando a foto bonita” das coronárias. Por isso, a angiotomografia não é adequada em angina instável de alto risco. Esse cenário já aponta para necessidade de avaliação urgente e, em geral, coronariografia invasiva, não um exame de triagem. A ideia é simples: exame não invasivo para quem está mais estável; via invasiva para quem está mais grave. Então, o gabarito está correto porque a presença de angina instável de alto risco afasta o uso da angiotomografia como estratégia de estratificação inicial. Em provas, a banca costuma cobrar exatamente essa lógica de escolha do exame conforme risco clínico.