O implante percutâneo de válvula aórtica constitui uma alternativa segura e eficaz à cirurgia de troca valvar aórtica para pacientes com estenose valvar grave. Uma das opções a seguir ainda favorece a cirurgia como a intervenção de escolha em pacientes sintomáticos com indicação de troca valvar. Assinale-a.
- A)Pacientes frágeis com elevado risco cirúrgico.
Errada, porque fragilidade e alto risco cirúrgico são justamente cenários que favorecem o TAVI.
- B)Idade ≥ 80 anos.
Errada, porque idade avançada isolada, especialmente ≥ 80 anos, costuma pesar a favor do implante percutâneo.
- C)Presença de deformidade torácica significativa.
Errada, porque deformidade torácica significativa pode dificultar a cirurgia aberta e favorecer a estratégia percutânea.
- D)Válvula aórtica bicúspide com diâmetro da aorta ascendente de 50mm.
Certa, porque válvula bicúspide com aorta ascendente de 50 mm sugere aortopatia associada e indica preferência pela cirurgia.
- E)Presença de aorta em porcelana.
Errada, porque a aorta em porcelana costuma aumentar muito o risco da cirurgia aberta e favorece abordagem percutânea.
Gabarito: D
A troca valvar aórtica por cateter, o famoso TAVI, ganhou muito espaço porque trata a estenose aórtica grave com menor invasividade. Em geral, ela é especialmente atraente em pacientes idosos, frágeis ou com alto risco cirúrgico, justamente porque evita a esternotomia e o estresse de uma cirurgia aberta. Só que, como quase tudo em medicina, há um detalhe que muda o jogo: se existe doença da aorta ascendente importante, a cirurgia volta a ser a melhor escolha, porque permite corrigir válvula e aorta no mesmo ato. É isso que derruba a alternativa D. A válvula aórtica bicúspide já chama atenção para uma anatomia menos favorável ao TAVI, e quando vem junto com aorta ascendente com 50 mm, o problema deixa de ser só a válvula. Nesse cenário, a orientação é preferir a cirurgia, pois a dilatação da aorta pode exigir tratamento cirúrgico associado, algo que o implante percutâneo não resolve. Na prática, pense assim: TAVI gosta de paciente de maior risco cirúrgico e de anatomia adequada. Já a cirurgia continua mandando quando há necessidade de tratar outras estruturas, como a aorta ascendente dilatada. Isso é coerente com a lógica das diretrizes de valvopatias, que priorizam a intervenção capaz de corrigir o conjunto do problema, e não apenas a válvula. Portanto, entre as alternativas, a que ainda favorece a cirurgia como escolha é a presença de válvula bicúspide com aorta ascendente de 50 mm. O ponto central não é só a estenose aórtica grave, mas o fato de haver uma aortopatia associada que puxa a decisão para a abordagem cirúrgica.