Escolar de 12 anos foi encontrada inconsciente em seu quarto após uma tentativa de suicídio. Ela tem um histórico de depressão e problemas emocionais. Ao examiná-la, o socorrista nota que ela está dispneica, com pulso fraco e cianose central. Diante desse quadro, o socorrista suspeita de uma possível intoxicação medicamentosa. A abordagem inicial recomendada ao trauma em escolar na tentativa de suicídio, de acordo com as diretrizes internacionais de suporte avançado de vida pediátrica, é
- A)realizar imediatamente a administração de naloxona intravenosa para reverter o efeito de uma possível overdose de opioides.
Errada, porque naloxona pode ser útil em suspeita de opioide, mas a prioridade inicial continua sendo garantir ventilação e oxigenação.
- B)realizar manobra de Heimlich para desobstruir a via aérea, caso haja suspeita de ingestão de corpo estranho.
Errada, pois a manobra de Heimlich só é indicada em obstrução aguda de via aérea por corpo estranho, e não como conduta inicial de uma intoxicação com rebaixamento do nível de consciência.
- C)iniciar a ventilação com máscara facial e fornecer oxigênio suplementar, se necessário, para garantir a oxigenação adequada.
Certa, porque a primeira abordagem no suporte avançado de vida pediátrica é estabilizar via aérea e respiração com ventilação assistida e oxigênio suplementar, se necessário.
- D)administrar epinefrina intramuscular para reverter o quadro de broncoespasmo e melhorar a função pulmonar.
Errada, porque epinefrina intramuscular é tratamento de anafilaxia, não de broncoespasmo por intoxicação sem essa hipótese.
- E)realizar a punção venosa profunda e iniciar hidratação venosa rápida para estimular a diurese.
Errada, porque hidratação venosa não é a medida inicial para esse quadro e não substitui a correção imediata da hipóxia e da ventilação.
Gabarito: C
Em tentativa de suicídio com criança ou adolescente inconsciente, a primeira regra é simples e não muda por drama, filme ou pressa: pense em suporte básico e avançado de vida, começando por via aérea, respiração e circulação. Se a paciente está dispneica, com pulso fraco e cianose central, o problema imediato é ventilação/oxigenação, não o antídoto da moda nem a causa exata da intoxicação. Pelas diretrizes internacionais de suporte avançado de vida pediátrica (PALS), a abordagem inicial é abrir e proteger a via aérea, oferecer ventilação com bolsa-válvula-máscara se necessário e administrar oxigênio suplementar para corrigir hipoxemia. Em criança intoxicada, primeiro você mantém a vida; depois vem o restante da investigação toxicológica. Isso importa porque, na prática, muitos quadros de overdose causam rebaixamento do nível de consciência e depressão respiratória. Se a oxigenação está ruim, a prioridade é ventilar adequadamente, porque o cérebro não espera e o coração também não gosta de hipóxia. Se houver falha ventilatória, você corrige isso antes de qualquer tratamento específico. Por isso, o gabarito é a letra C: iniciar ventilação com máscara facial e fornecer oxigênio suplementar, se necessário. Naloxona só entra se houver forte suspeita de opioide e, mesmo assim, não substitui a reanimação inicial; epinefrina IM é para anafilaxia, e manobra de Heimlich não é rotina nesse cenário.