Lactente 2 meses, com IgM positivo pra Toxoplasmose no teste do pezinho e IgM e IgG positivos no exame sorológico de sangue periférico, realizado posteriormente. USG trasnfontanela, fundoscopia e hemograma realizados aos 45 dias de vida sem alterações. Mãe com IgG para toxoplasmose positivo com 8 semanas de gestação, considerada não suscetível. Assinale a opção que indica a conduta adequada para o caso descrito.
- A)Considerar o exame do lactente falso positivo, pois a mãe foi infectada antes da gestação.
Errada, porque IgM positiva no lactente não é explicada por anticorpos maternos e não deve ser descartada como falso positivo só porque a mãe tinha IgG pré-gestacional.
- B)Acompanhamento do laboratorial da queda de anticorpos, por, provavelmente, se tratar de anticorpos maternos, já que a mãe teve a infecção antes da gestação.
Errada, porque a criança não deve apenas ser acompanhada para queda de anticorpos quando há evidência de infecção congênita, mas sim tratada.
- C)Acompanhamento clínico, com fundoscopia e imagem de sistema nervoso central semestrais para, no caso de surgimento de sintomas, iniciar tratamento, pelo risco de infecção do lactente, devido à reativação de infecção materna prévia ou reinfecção da mãe na gestação.
Errada, porque não se trata de mero seguimento clínico se já há sinais laboratoriais de infecção congênita, e a mãe IgG positiva não exclui transmissão para o feto.
- D)Tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 6 meses, pois se trata de infecção congênita do lactente por reativação de infecção materna prévia ou reinfecção da mãe na gestação.
Errada, porque o tratamento da toxoplasmose congênita, quando indicado, é por 1 ano, e não por 6 meses.
- E)Tratamento com sulfadiazina, piremitamina e ácido folínico por 1 ano, pois se trata de infecção congênita do lactente por reativação de infecção materna prévia ou reinfecção da mãe na gestação.
Certa, porque o lactente tem evidência sorológica de toxoplasmose congênita e deve receber sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 12 meses.
Gabarito: E
Na toxoplasmose congênita, o ponto mais importante é este: IgM positivo no lactente não é coisa de “restinho da mãe” e deve ser levado a sério. IgG pode vir da placenta, mas IgM não atravessa a barreira placentária. Então, quando o bebê tem IgM positivo no teste do pezinho e depois também no sangue periférico, a hipótese de infecção congênita fica bem forte. Mesmo que a mãe tenha IgG positivo no começo da gestação, isso só mostra que ela já tinha contato prévio com o parasito. Isso reduz muito o risco, mas não zera. Pode haver reinfecção por outra cepa ou, mais raramente, transmissão em contexto de imunidade prévia materna. Em prova, o que manda é o bebê com sorologia compatível com infecção congênita. E qual é a conduta? Tratamento por 12 meses com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O esquema é prolongado justamente para reduzir sequelas neurológicas e oculares, mesmo quando o exame inicial está normal. USG transfontanela, fundo de olho e hemograma normais aos 45 dias não afastam o diagnóstico e não dispensam terapia. Por isso o gabarito é a letra E. A lógica é: lactente com evidência sorológica de infecção congênita recebe tratamento completo por 1 ano, e não apenas observação. Esse é o padrão doutrinário usado em Pediatria e Neonatologia para toxoplasmose congênita.