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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Lactente 2 meses, com IgM positivo pra Toxoplasmose no teste do pezinho e IgM e IgG positivos no exame sorológico de sangue periférico, realizado posteriormente. USG trasnfontanela, fundoscopia e hemograma realizados aos 45 dias de vida sem alterações. Mãe com IgG para toxoplasmose positivo com 8 semanas de gestação, considerada não suscetível. Assinale a opção que indica a conduta adequada para o caso descrito.

Gabarito: E

Na toxoplasmose congênita, o ponto mais importante é este: IgM positivo no lactente não é coisa de “restinho da mãe” e deve ser levado a sério. IgG pode vir da placenta, mas IgM não atravessa a barreira placentária. Então, quando o bebê tem IgM positivo no teste do pezinho e depois também no sangue periférico, a hipótese de infecção congênita fica bem forte. Mesmo que a mãe tenha IgG positivo no começo da gestação, isso só mostra que ela já tinha contato prévio com o parasito. Isso reduz muito o risco, mas não zera. Pode haver reinfecção por outra cepa ou, mais raramente, transmissão em contexto de imunidade prévia materna. Em prova, o que manda é o bebê com sorologia compatível com infecção congênita. E qual é a conduta? Tratamento por 12 meses com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O esquema é prolongado justamente para reduzir sequelas neurológicas e oculares, mesmo quando o exame inicial está normal. USG transfontanela, fundo de olho e hemograma normais aos 45 dias não afastam o diagnóstico e não dispensam terapia. Por isso o gabarito é a letra E. A lógica é: lactente com evidência sorológica de infecção congênita recebe tratamento completo por 1 ano, e não apenas observação. Esse é o padrão doutrinário usado em Pediatria e Neonatologia para toxoplasmose congênita.

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