Em relação às miocardiopatias associadas a substâncias tóxicas, assinale a opção correta.
- A)Enquanto a intoxicação por selênio está associada ao desenvolvimento de miocardiopatia, a sua deficiência tipicamente não afeta o coração.
Errada: a deficiência de selênio também pode causar doença cardíaca, como na cardiomiopatia de Keshan, então não é verdade que só a intoxicação afeta o coração.
- B)Na miocardiopatia alcoólica com fração de ejeção reduzida, a interrupção do etilismo pode melhorar os sintomas de insuficiência cardíaca mesmo na ausência de recuperação da função ventricular esquerda.
Certa: na miocardiopatia alcoólica, suspender o etilismo pode melhorar os sintomas de insuficiência cardíaca mesmo sem recuperação imediata da fração de ejeção.
- C)O uso de cocaína está associado ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca somente em pacientes que evoluem com infarto agudo do miocárdio.
Errada: a cocaína pode causar insuficiência cardíaca por múltiplos mecanismos, não apenas quando há infarto agudo do miocárdio.
- D)Em pacientes com insuficiência cardíaca associada à miocardiopatia por abuso de metanfetaminas, a fração de ejeção está preservada em cerca de 90% dos casos.
Errada: a miocardiopatia por metanfetaminas frequentemente cursa com fração de ejeção reduzida, e não preservada na maioria dos casos.
- E)Os homens são mais susceptíveis aos efeitos cardiotóxicos do etanol do que as mulheres, e por isso desenvolvem a miocardiopatia alcoólica com doses cumulativas proporcionalmente mais baixas.
Errada: as mulheres tendem a ser mais vulneráveis aos efeitos cardiotóxicos do álcool, podendo desenvolver miocardiopatia com menor dose cumulativa.
Gabarito: B
As miocardiopatias tóxicas aparecem quando uma substância vai “batendo” no miocárdio ao longo do tempo, causando disfunção ventricular, arritmias e insuficiência cardíaca. Entre os agentes clássicos estão álcool, cocaína, metanfetaminas e alguns elementos-traço, como o selênio, que pode participar tanto de quadros por excesso quanto por deficiência, dependendo do contexto clínico. A banca costuma cobrar mais a ideia prática do que detalhes bioquímicos: qual substância faz dano, qual quadro ela produz e o que melhora quando o agente é suspenso. No etilismo crônico, a miocardiopatia alcoólica pode cursar com fração de ejeção reduzida e dilatação ventricular. O ponto importante é que a interrupção do álcool muitas vezes já traz benefício clínico, com melhora de sintomas e de capacidade funcional, mesmo antes de haver recuperação completa da função sistólica. Em outras palavras: o paciente pode respirar melhor, inchar menos e viver melhor, ainda que o eco não volte imediatamente ao normal. Isso explica por que a alternativa B está correta. A suspensão do etilismo reduz a agressão contínua ao miocárdio e pode melhorar a insuficiência cardíaca, independentemente de a fração de ejeção já ter se recuperado ou não. Em prova, lembre-se de separar “melhora clínica” de “normalização da função ventricular”, porque nem sempre as duas coisas andam juntas. As demais alternativas trazem generalizações ou afirmações invertidas. Cocaína e metanfetaminas podem causar cardiotoxicidade e insuficiência cardíaca por vários mecanismos, não apenas após infarto. E, no álcool, a susceptibilidade não é exclusividade masculina; ao contrário, mulheres podem desenvolver cardiotoxicidade com menor dose cumulativa. A FGV gosta justamente dessa armadilha de transformar um fato real em uma regra absoluta.