Sobre a dislipidemia na infância, analise as afirmativas a seguir: I. Indivíduos acima dos 10 anos de idade devem ter a análise do perfil lipídico realizada, independente de fator de risco, e repetida anualmente, caracterizando a triagem universal. II. Se há histórico familiar de colesterol elevado e/ou de DAC prematura (homens < 55 anos ou mulheres < 65 anos), análise de perfil lipídico deve ser realizada a partir de 2 anos. III. O rastreamento em cascata envolve a determinação do perfil lipídico em todos os parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos e filhos) dos pacientes diagnosticados como portadores de hipercolesterolemia familiar. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que somente a afirmativa I estaria correta, isto é, que toda criança acima de 10 anos deve fazer perfil lipídico sem depender de risco e repetir o exame todos os anos. O problema é que a triagem universal em pediatria não é anual e é feita em janela etária específica, tipicamente entre 9 e 11 anos, com nova avaliação mais adiante na adolescência. Além disso, a redação da I exagera ao transformar uma recomendação de rastreio em seguimento anual permanente.
- B)I e II, apenas.
Aqui você marca como verdadeiras a I e a II. A II está de acordo com o rastreamento seletivo: quando há história familiar de colesterol elevado ou DAC prematura, a investigação lipídica pode começar a partir dos 2 anos de idade. Já a I erra ao dizer que a triagem universal deve ser anual e ao fixá-la apenas como acima dos 10 anos, porque o rastreio universal é por faixa etária definida e não por repetição anual.
- C)II, apenas.
Essa opção afirma que apenas a II está correta. De fato, a II reproduz a conduta recomendada para crianças com antecedente familiar relevante, com avaliação do perfil lipídico já a partir dos 2 anos. O erro é desconsiderar que a III também está correta, pois o rastreamento em cascata na hipercolesterolemia familiar inclui os parentes de primeiro grau do caso índice, exatamente para identificar outros afetados na família.
- D)II e III, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas II e III, que são as corretas. A II está certa porque, havendo história familiar de hipercolesterolemia e/ou DAC prematura, a criança deve ser avaliada precocemente, a partir dos 2 anos, para rastreio dirigido. A III também está certa porque o rastreamento em cascata consiste em dosar o perfil lipídico de pais, irmãos e filhos do paciente com hipercolesterolemia familiar, o que aumenta a detecção de casos na família.
- E)I, II e III.
Esta opção considera verdadeiras as três afirmativas. Isso falha porque a I distorce a triagem universal ao dizer que ela deve ser feita acima dos 10 anos e repetida anualmente, quando o rastreio universal ocorre em faixa etária específica e não como exame anual contínuo. As afirmativas II e III estão corretas, mas a presença da I impede que todas sejam marcadas como verdadeiras.
Gabarito: D
A dislipidemia na infância não é assunto só de adulto em dieta de salada triste. Em pediatria, a ideia é identificar cedo quem tem risco aumentado, porque a hipercolesterolemia familiar pode começar na infância e já levar a lesão aterosclerótica silenciosa ao longo dos anos. Por isso, existem estratégias de rastreamento universal e rastreamento seletivo, conforme idade e antecedentes familiares. A afirmativa I está errada. O rastreamento universal não é anual a partir dos 10 anos. O que se recomenda, em linhas gerais, é a dosagem do perfil lipídico em crianças e adolescentes em faixas etárias específicas, com repetição conforme o resultado e o protocolo adotado, e não como exame anual obrigatório para todos. A afirmativa II está correta. Se houver histórico familiar de colesterol elevado e/ou de doença arterial coronariana prematura, o perfil lipídico deve ser investigado mais cedo, a partir dos 2 anos, porque esse antecedente acende a luz amarela para dislipidemia familiar e outras causas hereditárias. A afirmativa III também está correta. O rastreamento em cascata consiste justamente em avaliar os parentes de primeiro grau do paciente com hipercolesterolemia familiar, como pai, mãe, irmãos e filhos, porque essa é uma condição com forte herança genética. Assim, o gabarito D está correto: apenas II e III estão certas.