Paciente de 25 anos, masculino, sem comorbidades, admitido no pronto-socorro após ferimento por arma branca em hemitórax direito. Ao exame físico, vigil, consciente e orientado, dispneico, com frequência respiratória de 28 incursões respiratórias por minutos, hipertimpanismo em hemitórax direito, desvio de traqueia para a esquerda, frequência cardíaca de 125 batimentos por minuto e pressão arterial de 90x60 mmHg. Assinale a opção que apresenta a melhor conduta imediata.
- A)Ponderar realização de drenagem torácica.
Errada, porque em pneumotórax hipertensivo não se deve apenas ponderar drenagem: é preciso descompressão imediata.
- B)Solicitar radiografia de tórax de urgência para definir o diagnóstico.
Errada, porque radiografia de tórax não deve atrasar o tratamento de uma emergência clínica evidente.
- C)Solicitar avaliação do cirurgião torácico de sobreaviso com urgência.
Errada, porque aguardar cirurgião torácico faz perder tempo em uma situação em que a conduta deve ser imediata à beira-leito.
- D)Transferir o paciente para unidade de terapia intensiva para melhor condução do caso.
Errada, porque UTI não resolve a obstrução aguda por ar sob pressão e só atrasaria a descompressão.
- E)Realizar punção de alívio seguida de drenagem torácica.
Certa, porque o pneumotórax hipertensivo exige punção de alívio imediata, seguida de drenagem torácica definitiva.
Gabarito: E
O quadro descreve um pneumotórax hipertensivo: trauma penetrante, dispneia, hipotensão, taquicardia, hipertimpanismo e desvio traqueal. Aqui não há tempo para pedir exame ou chamar todo mundo para uma reunião de urgência com café e crachá. A prioridade é reconhecer clinicamente e tratar imediatamente, porque a pressão dentro do hemitórax pode comprimir o pulmão e também os grandes vasos, derrubando o retorno venoso e o débito cardíaco. Nessa situação, a conduta inicial é punção de alívio com agulha em local apropriado para descompressão imediata, seguida de drenagem torácica definitiva. Em trauma, isso é diagnóstico e tratamento ao mesmo tempo, sem esperar radiografia. Esse é um ponto clássico de prova: pneumotórax hipertensivo é uma emergência clínica, e a imagem não pode atrasar a intervenção. Depois da descompressão, você faz o dreno de tórax para manter a expansão pulmonar e evitar novo acúmulo de ar. O raciocínio é simples: primeiro salva a vida, depois confirma e organiza o resto. Essa lógica é compatível com os princípios do ATLS, amplamente cobrados em provas de emergência e trauma.