Paciente masculino, 72 anos, com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e insuficiência cardíaca procura atendimento com queixa de dispneia aos esforços, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores com piora importante na última semana. Ecocardiograma com fração de ejeção de 30%. Assinale a opção que apresenta uma medicação que pode precipitar essa descompensação.
- A)Hidroclorotiazida.
A hidroclorotiazida é diurético tiazídico e pode até ser usada para controle de pressão, sem ser causa típica de descompensação da insuficiência cardíaca sistólica.
- B)Verapamil.
O verapamil tem efeito inotrópico negativo e pode piorar insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, precipitando descompensação.
- C)Losartana.
A losartana é antagonista do receptor de angiotensina e costuma ser útil no tratamento da insuficiência cardíaca, não sendo gatilho clássico de piora.
- D)Espironolactona.
A espironolactona é antagonista da aldosterona e faz parte do tratamento de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, com benefício prognóstico.
- E)Furosemida.
A furosemida é diurético de alça usado para aliviar congestão e sintomas como edema e dispneia, ajudando na descompensação em vez de provocar.
Gabarito: B
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o coração já está trabalhando no limite. Qualquer remédio que diminua demais a força de contração ou piore a condução cardíaca pode empurrar o paciente para a descompensação, aumentando dispneia, retenção de líquido e fadiga. É o tipo de cenário em que o organismo já está pedindo socorro, e alguns fármacos, em vez de ajudar, atrapalham bastante. O verapamil é um bloqueador dos canais de cálcio do tipo não diidropiridínico. Ele reduz a contratilidade miocárdica e também desacelera a condução pelo nó AV, efeito que pode ser ruim em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção baixa. Por isso, ele pode precipitar ou piorar a descompensação, especialmente em quem já tem FE de 30% como no enunciado. Esse ponto é clássico em cardiologia: os bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos, como verapamil e diltiazem, devem ser evitados na insuficiência cardíaca sistólica, porque têm efeito inotrópico negativo. Já os diidropiridínicos, como a anlodipina, não têm esse mesmo problema de forma relevante, mas não são o foco da questão. Em prova, pense assim: insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida gosta de tratamento que alivie congestão e melhore prognóstico, e não de remédio que “freia” o ventrículo. Por isso, a medicação que pode precipitar essa piora é o verapamil.