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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino, 72 anos, com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e insuficiência cardíaca procura atendimento com queixa de dispneia aos esforços, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores com piora importante na última semana. Ecocardiograma com fração de ejeção de 30%. Assinale a opção que apresenta uma medicação que pode precipitar essa descompensação.

Gabarito: B

Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o coração já está trabalhando no limite. Qualquer remédio que diminua demais a força de contração ou piore a condução cardíaca pode empurrar o paciente para a descompensação, aumentando dispneia, retenção de líquido e fadiga. É o tipo de cenário em que o organismo já está pedindo socorro, e alguns fármacos, em vez de ajudar, atrapalham bastante. O verapamil é um bloqueador dos canais de cálcio do tipo não diidropiridínico. Ele reduz a contratilidade miocárdica e também desacelera a condução pelo nó AV, efeito que pode ser ruim em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção baixa. Por isso, ele pode precipitar ou piorar a descompensação, especialmente em quem já tem FE de 30% como no enunciado. Esse ponto é clássico em cardiologia: os bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos, como verapamil e diltiazem, devem ser evitados na insuficiência cardíaca sistólica, porque têm efeito inotrópico negativo. Já os diidropiridínicos, como a anlodipina, não têm esse mesmo problema de forma relevante, mas não são o foco da questão. Em prova, pense assim: insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida gosta de tratamento que alivie congestão e melhore prognóstico, e não de remédio que “freia” o ventrículo. Por isso, a medicação que pode precipitar essa piora é o verapamil.

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