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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Você foi chamado para avaliar um bebê recém-nascido com a seguinte história: ele é um produto de gestação a termo, cesariana por sofrimento fetal. Sua mãe tem 27 anos e refere apresentar xeroftalmia, xerostomia e glândulas parótidas aumentadas. Ela tinha histórico de 2 abortos prévios. Ela está em tratamento com corticosteroides e metotrexato. De acordo com o caso descrito, assinale o órgão mais importante a ser examinado.

Gabarito: E

Esse caso tem cara de síndrome de Sjögren materna, sugerida por xeroftalmia, xerostomia e aumento de parótidas. Em gestantes com autoanticorpos, especialmente anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, o bebê pode nascer com manifestações de lúpus neonatal. O clássico mais cobrado não é uma lesão de pele bonitinha para foto, mas sim a possibilidade de bloqueio cardíaco congênito, que pode ser grave e até permanente. Por isso, o órgão mais importante a ser examinado é o coração. Na prática, você deve pensar em ausculta, eletrocardiograma e, se necessário, ecocardiograma para investigar bradicardia e distúrbios de condução. Esse é o ponto-chave porque a placenta deixa passar esses anticorpos maternos, e eles podem atacar o sistema de condução fetal, especialmente o nó AV. Os outros órgãos até podem ser avaliados em quadros de lúpus neonatal, como pele, fígado e hemograma, mas o coração é o exame prioritário neste enunciado. A mãe ainda tem antecedente de perdas gestacionais, o que reforça um contexto imunológico relevante. Em prova, quando a mãe tem Sjögren/autoimunidade e o bebê é exposto a anti-Ro, pense primeiro em coração. Então, o gabarito E está correto porque a principal complicação neonatal associada a esse perfil materno é o bloqueio cardíaco congênito. É uma associação clássica de prova e também de prática clínica, porque perder esse diagnóstico muda o prognóstico do recém-nascido.

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