Você foi chamado para avaliar um bebê recém-nascido com a seguinte história: ele é um produto de gestação a termo, cesariana por sofrimento fetal. Sua mãe tem 27 anos e refere apresentar xeroftalmia, xerostomia e glândulas parótidas aumentadas. Ela tinha histórico de 2 abortos prévios. Ela está em tratamento com corticosteroides e metotrexato. De acordo com o caso descrito, assinale o órgão mais importante a ser examinado.
- A)Rim.
Rim não é o órgão prioritário nesse contexto, embora possa haver outras causas neonatais renais, o foco aqui é a cardiopatia por autoanticorpos maternos.
- B)SNC.
O SNC não é a principal preocupação da síndrome de lúpus neonatal, que costuma chamar atenção muito mais por bloqueio cardíaco e, às vezes, alterações cutâneas ou hematológicas.
- C)Olhos.
Olhos podem ser um alvo em outras doenças, mas neste caso o exame mais importante do recém-nascido é o cardiovascular, pela possibilidade de bloqueio de condução.
- D)Fígado.
Fígado pode aparecer em manifestações sistêmicas neonatais, porém não é o exame principal diante da suspeita de autoanticorpos maternos com risco cardíaco.
- E)Coração.
Coração é o órgão prioritário porque a mãe sugere doença autoimune com anticorpos que podem causar bloqueio cardíaco congênito no bebê.
Gabarito: E
Esse caso tem cara de síndrome de Sjögren materna, sugerida por xeroftalmia, xerostomia e aumento de parótidas. Em gestantes com autoanticorpos, especialmente anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, o bebê pode nascer com manifestações de lúpus neonatal. O clássico mais cobrado não é uma lesão de pele bonitinha para foto, mas sim a possibilidade de bloqueio cardíaco congênito, que pode ser grave e até permanente. Por isso, o órgão mais importante a ser examinado é o coração. Na prática, você deve pensar em ausculta, eletrocardiograma e, se necessário, ecocardiograma para investigar bradicardia e distúrbios de condução. Esse é o ponto-chave porque a placenta deixa passar esses anticorpos maternos, e eles podem atacar o sistema de condução fetal, especialmente o nó AV. Os outros órgãos até podem ser avaliados em quadros de lúpus neonatal, como pele, fígado e hemograma, mas o coração é o exame prioritário neste enunciado. A mãe ainda tem antecedente de perdas gestacionais, o que reforça um contexto imunológico relevante. Em prova, quando a mãe tem Sjögren/autoimunidade e o bebê é exposto a anti-Ro, pense primeiro em coração. Então, o gabarito E está correto porque a principal complicação neonatal associada a esse perfil materno é o bloqueio cardíaco congênito. É uma associação clássica de prova e também de prática clínica, porque perder esse diagnóstico muda o prognóstico do recém-nascido.