Sobre as condutas pertinentes ao tromboembolismo pulmonar, assinale a afirmativa correta.
- A)Nem todos os pacientes com tromboembolismo pulmonar necessitam de internação hospitalar, podendo receber anticoagulação em regime domiciliar, desde que sejam de baixo risco e tenham bom acesso aos serviços de saúde e acompanhamento adequado.
Certa: pacientes com TEP de baixo risco podem receber anticoagulação em regime domiciliar, se houver estabilidade clínica, boa adesão e acompanhamento confiável.
- B)Pacientes com esse diagnóstico, troponina positiva e ecocardiograma com disfunção de ventrículo direito, sem instabilidade hemodinâmica, são necessariamente considerados de alto risco segundo o guideline europeu.
Errada: troponina positiva e disfunção de ventrículo direito, sem instabilidade hemodinâmica, sugerem risco intermediário-alto, não alto risco.
- C)Não havendo contraindicações, os pacientes de risco intermediário-alto e de risco alto devem ser submetidos à trombólise química com alteplase.
Errada: trombólise com alteplase é indicada principalmente no TEP de alto risco, não de forma automática no intermediário-alto sem individualização.
- D)Segundo os guidelines mais recentes, a realização de trombólise química com alteplase deve ser realizada nas primeiras 12h após o diagnóstico, estando contraindicada após passado esse período.
Errada: trombólise não fica rigidamente restrita às primeiras 12 horas após o diagnóstico; a decisão depende do risco e da situação clínica, não de um corte temporal fixo.
- E)A escolha de anticoagulação preferencial para os pacientes com instabilidade hemodinâmica importante é por enoxaparina 1mg/kg a cada doze horas por via subcutânea.
Errada: em TEP com instabilidade hemodinâmica, a prioridade é reperfusão e anticoagulação com heparina não fracionada costuma ser preferida, não enoxaparina subcutânea.
Gabarito: A
O tromboembolismo pulmonar (TEP) não é, por definição, sinônimo de internação obrigatória. A conduta depende sobretudo do risco: se o paciente estiver hemodinamicamente estável, for de baixo risco e tiver condições confiáveis de adesão, acompanhamento e acesso rápido ao serviço de saúde, pode sim tratar em casa com anticoagulação. Isso é aceito pelos algoritmos modernos de estratificação, que valorizam gravidade clínica, sinais de disfunção de ventrículo direito e biomarcadores, e não apenas o diagnóstico em si. Nos casos de TEP, a presença de troponina positiva e disfunção de ventrículo direito sem hipotensão não define, sozinha, TEP de alto risco. Pelo guideline europeu, alto risco é o paciente com instabilidade hemodinâmica, especialmente choque ou hipotensão sustentada. Quem tem biomarcadores positivos e disfunção de VD costuma entrar na faixa de risco intermediário-alto, que exige observação mais cuidadosa. Também vale lembrar: trombólise com alteplase não é tratamento de rotina para todo mundo. Ela é reservada principalmente para TEP de alto risco, e em alguns casos selecionados de deterioração clínica no risco intermediário-alto, quando o benefício supera o risco de sangramento. Então, a ideia de sair trombolisando todos os casos mais graves logo de cara é uma armadilha clássica. Assim, o gabarito A está correto porque reconhece uma conduta atual e prática: nem todo TEP precisa de internação, e pacientes de baixo risco podem ser manejados ambulatorialmente, desde que tenham seguimento adequado. Em concurso, a banca gosta muito de testar essa mudança de paradigma: menos "todo TEP interna", mais estratificação de risco com bom senso clínico.