Em pacientes com suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma é essencial para definir o espectro de apresentação da doença. Na ausência de sobrecarga ventricular esquerda, estimulação artificial ou bloqueio de ramo esquerdo, um critério eletrocardiográfico compatível com um caso de síndrome coronariana aguda com supradesnível do segmento ST, em um paciente com dor torácica é:
- A)Supradesnível do segmento ST de 0,5mm em DI e aVR.
Errada: DI e aVR não são um par contíguo típico para definir supra de ST, e 0,5 mm é um corte insuficiente para esse diagnóstico.
- B)Supradesnível do segmento ST de 0,5mm em V2 e V3.
Errada: em V2 e V3 os critérios são mais altos, então 0,5 mm não fecha supra de ST compatível com SCA.
- C)Infradesnível isolado do segmento ST de 2mm em aVR.
Errada: infradesnível isolado em aVR sugere outra gravidade isquêmica, como lesão de tronco ou doença multiarterial, mas não caracteriza STEMI.
- D)Supradesnível do segmento ST de 1,5mm em DII, DIII e aVF.
Certa: DII, DIII e aVF são derivações contíguas inferiores, e supra de 1,5 mm é compatível com SCA com supradesnivelamento do ST.
- E)Supradesnível difuso do segmento ST de 1mm, exceto em aVR e V1.
Errada: supra difuso com possível poupanca de aVR/V1 lembra mais pericardite aguda do que infarto com supra de ST.
Gabarito: D
Na suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma manda no jogo porque ajuda a separar o caso sem supra, com supra, ou até outras causas de dor torácica. Para falar em síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do segmento ST, você precisa de supra em pelo menos duas derivações contíguas, na ausência de condições que atrapalhem a leitura, como bloqueio de ramo esquerdo, marca-passo ou hipertrofia ventricular esquerda importante. O ponto principal é este: em geral, considera-se supra do ST patológico quando ele atinge pelo menos 1 mm em derivações contíguas, exceto em V2 e V3, que têm limites próprios mais altos dependendo do sexo e da idade. Então, um supra de 1,5 mm em DII, DIII e aVF já encaixa perfeitamente no padrão de infarto inferior com supra de ST, porque envolve derivações contíguas e ultrapassa o corte mínimo. Por isso o gabarito é a letra D. DII, DIII e aVF formam um território inferior clássico, e o supra ali, em paciente com dor torácica, aponta para IAM com supra de ST até prova em contrário. A cardiologia adora uma pista em trio: se o ST sobe junto em derivações vizinhas, a suspeita fica bem forte. As outras alternativas tentam confundir com valores baixos demais, derivações não contíguas ou padrões que sugerem outras doenças, como pericardite ou lesão de tronco de coronária esquerda. Na prática, o raciocínio da prova é: supra em derivações contíguas + contexto clínico compatível = pense em SCA com supra.