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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Em pacientes com suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma é essencial para definir o espectro de apresentação da doença. Na ausência de sobrecarga ventricular esquerda, estimulação artificial ou bloqueio de ramo esquerdo, um critério eletrocardiográfico compatível com um caso de síndrome coronariana aguda com supradesnível do segmento ST, em um paciente com dor torácica é:

Gabarito: D

Na suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma manda no jogo porque ajuda a separar o caso sem supra, com supra, ou até outras causas de dor torácica. Para falar em síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do segmento ST, você precisa de supra em pelo menos duas derivações contíguas, na ausência de condições que atrapalhem a leitura, como bloqueio de ramo esquerdo, marca-passo ou hipertrofia ventricular esquerda importante. O ponto principal é este: em geral, considera-se supra do ST patológico quando ele atinge pelo menos 1 mm em derivações contíguas, exceto em V2 e V3, que têm limites próprios mais altos dependendo do sexo e da idade. Então, um supra de 1,5 mm em DII, DIII e aVF já encaixa perfeitamente no padrão de infarto inferior com supra de ST, porque envolve derivações contíguas e ultrapassa o corte mínimo. Por isso o gabarito é a letra D. DII, DIII e aVF formam um território inferior clássico, e o supra ali, em paciente com dor torácica, aponta para IAM com supra de ST até prova em contrário. A cardiologia adora uma pista em trio: se o ST sobe junto em derivações vizinhas, a suspeita fica bem forte. As outras alternativas tentam confundir com valores baixos demais, derivações não contíguas ou padrões que sugerem outras doenças, como pericardite ou lesão de tronco de coronária esquerda. Na prática, o raciocínio da prova é: supra em derivações contíguas + contexto clínico compatível = pense em SCA com supra.

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