← Questões de Medicina

Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Uma gestante, sem doenças prévias, com 27 semanas, tem uma medida de pressão arterial de 150x110mmHg. Após quatro horas tem nova medida da pressão de 160x110mmHg. O seu exame de proteinúria foi de 270mg / 24horas. Ela tem escotomas e cefaleia e seus exames laboratoriais evidenciaram contagem de plaquetas de 70.000/mm3 , aumento das enzimas hepáticas e creatinina sérica de 1,9mg/dL. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é

Gabarito: D

Aqui o quadro é clássico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Em gestante após 20 semanas, basta surgir hipertensão nova associada a proteinúria ou, mesmo sem proteinúria importante, a sinais de lesão de órgão-alvo para pensar no diagnóstico. Nesta paciente, a pressão está elevada, há sintomas neurológicos como cefaleia e escotomas, além de plaquetopenia, alteração de enzimas hepáticas e creatinina aumentada. Isso é mais do que uma hipertensão gestacional simples: é doença sistêmica, e das bravas. Um detalhe importante é que a proteinúria não precisa ser exuberante para o diagnóstico quando já existem sinais de gravidade. O valor de 270 mg/24h está abaixo do ponto clássico de 300 mg/24h, mas isso não “salva” o caso, porque a presença de plaquetas em 70.000/mm3, disfunção hepática, creatinina elevada e sintomas visuais/cefaleia já fecham o cenário de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A FGV gosta de cobrar justamente essa ideia: não se fixe só no número da proteinúria. Em obstetrícia, a clínica e os sinais laboratoriais pesam muito. Quando a gestante tem hipertensão após 20 semanas + lesão de órgão-alvo, pense em pré-eclâmpsia grave até prova em contrário. Por isso o gabarito é a letra D. Não há história de hipertensão antes da gestação, então não é hipertensão crônica nem pré-eclâmpsia sobreposta. O quadro é de início na gestação atual, com repercussão sistêmica importante, típico de pré-eclâmpsia.

Continue treinando

Questões relacionadas