Uma gestante, sem doenças prévias, com 27 semanas, tem uma medida de pressão arterial de 150x110mmHg. Após quatro horas tem nova medida da pressão de 160x110mmHg. O seu exame de proteinúria foi de 270mg / 24horas. Ela tem escotomas e cefaleia e seus exames laboratoriais evidenciaram contagem de plaquetas de 70.000/mm3 , aumento das enzimas hepáticas e creatinina sérica de 1,9mg/dL. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
- A)hipertensão crônica.
Errada, porque hipertensão crônica é aquela que já existia antes da gestação ou surge antes de 20 semanas.
- B)hipertensão iatrogênica.
Errada, porque hipertensão iatrogênica não explica esse conjunto de sinais de gravidade e não é o diagnóstico obstétrico esperado aqui.
- C)pré-eclâmpsia sobreposta.
Errada, porque pré-eclâmpsia sobreposta exige hipertensão crônica prévia, o que não existe no caso.
- D)pré-eclâmpsia.
Certa, pois a hipertensão após 20 semanas associada a disfunção orgânica materna configura pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
- E)não é possível um diagnóstico ainda.
Errada, porque o quadro já está definido pelos dados clínicos e laboratoriais, sem necessidade de aguardar mais informações.
Gabarito: D
Aqui o quadro é clássico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Em gestante após 20 semanas, basta surgir hipertensão nova associada a proteinúria ou, mesmo sem proteinúria importante, a sinais de lesão de órgão-alvo para pensar no diagnóstico. Nesta paciente, a pressão está elevada, há sintomas neurológicos como cefaleia e escotomas, além de plaquetopenia, alteração de enzimas hepáticas e creatinina aumentada. Isso é mais do que uma hipertensão gestacional simples: é doença sistêmica, e das bravas. Um detalhe importante é que a proteinúria não precisa ser exuberante para o diagnóstico quando já existem sinais de gravidade. O valor de 270 mg/24h está abaixo do ponto clássico de 300 mg/24h, mas isso não “salva” o caso, porque a presença de plaquetas em 70.000/mm3, disfunção hepática, creatinina elevada e sintomas visuais/cefaleia já fecham o cenário de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A FGV gosta de cobrar justamente essa ideia: não se fixe só no número da proteinúria. Em obstetrícia, a clínica e os sinais laboratoriais pesam muito. Quando a gestante tem hipertensão após 20 semanas + lesão de órgão-alvo, pense em pré-eclâmpsia grave até prova em contrário. Por isso o gabarito é a letra D. Não há história de hipertensão antes da gestação, então não é hipertensão crônica nem pré-eclâmpsia sobreposta. O quadro é de início na gestação atual, com repercussão sistêmica importante, típico de pré-eclâmpsia.