Paciente de 7 anos é trazida ao pronto-socorro com história de picada de abelha que, em poucos minutos, evoluiu com prurido intenso, edema no local da picada, dispneia e agitação. Assinale a opção que indica a abordagem mais adequada para o tratamento da anafilaxia nesta paciente.
- A)Administrar um anti-histamínico por via oral para aliviar os sintomas alérgicos e reduzir a reação inflamatória.
Errada, porque anti-histamínico oral pode aliviar sintomas cutâneos, mas não trata anafilaxia e ainda demora para agir.
- B)Aguardar para ver a progressão dos sintomas antes de tomar qualquer medida, uma vez que algumas reações alérgicas podem ser autolimitadas.
Errada, porque anafilaxia é emergência e não deve haver conduta expectante diante de dispneia e evolução rápida após picada.
- C)Aplicar dose de corticoide sistêmico e oferecer oxigenioterapia sob cateter nasal e observar a evolução.
Errada, porque corticoide e oxigênio são medidas adjuvantes, mas não substituem a epinefrina na fase aguda.
- D)Realizar testes alérgicos imediatamente para identificar a substância causadora da anafilaxia e evitar futuras exposições.
Errada, porque testes alérgicos não fazem parte do manejo imediato e não servem para tratar a crise em andamento.
- E)Administrar epinefrina (adrenalina) por via intramuscular o mais rápido possível para controlar os sintomas e estabilizar a pressão arterial.
Certa, porque a epinefrina intramuscular é a primeira medida na anafilaxia e deve ser feita o mais rápido possível.
Gabarito: E
Anafilaxia é uma emergência médica e, em pediatria, o tempo conta muito. Quando a criança apresenta início súbito de sintomas após exposição a um alérgeno, com pele, respiratório e possível comprometimento hemodinâmico, a conduta mais importante é agir rápido, sem ficar esperando “ver se melhora”. O ponto-chave é que a epinefrina intramuscular é o tratamento de primeira linha. Ela reverte broncoespasmo, reduz edema de vias aéreas, ajuda na vasoconstrição e estabiliza a circulação. Em geral, é aplicada na face ânterolateral da coxa, na dose de 0,01 mg/kg da solução 1:1000, com dose máxima usual de 0,3 mg em criança, podendo ser repetida se necessário. Anti-histamínicos e corticoides podem até ser usados como adjuvantes depois, mas não substituem a epinefrina e não tratam bem o risco imediato de colapso respiratório ou cardiovascular. Oxigênio, acesso venoso, monitorização e observação são medidas de suporte, mas também não podem atrasar a adrenalina. Em diretrizes pediátricas e de emergência, o raciocínio é sempre o mesmo: anafilaxia se trata primeiro com adrenalina, e só depois vem o resto da “organização da casa”. Por isso, a alternativa correta é a letra E. A paciente tem desencadeamento rápido após picada de abelha, prurido, edema, dispneia e agitação, quadro bem compatível com anafilaxia. Nessa situação, a epinefrina intramuscular imediata é a conduta mais adequada e salva tempo, pulmão e, às vezes, vida.