Paciente do ambulatório de valvopatias, 30 anos, sexo feminino, queixa-se de dispneia aos mínimos esforços. Encontra-se em uso regular de furosemida 40mg duas vezes ao dia e betabloqueador. À ausculta cardíaca: sopro mesodiastólico em ruflar, precedido por estalido de abertura (próximo de B2), com B1 e B2 hiperfonéticas. O ecocardiografista do hospital alega que a paciente apresenta lesão grave e que o aspecto valvar durante a diástole é em “domo”. Escore de Wilkins-Block calculado: 12. Com base no caso acima, o diagnóstico da valvopatia e a conduta mais indicada são, respectivamente,
- A)Insuficiência aórtica e cirurgia convencional.
Errada, porque o sopro, o estalido de abertura e o eco em domo apontam para estenose mitral, não insuficiência aórtica.
- B)Estenose mitral e cirurgia convencional.
Certa, pois o caso descreve estenose mitral grave sintomática com escore de Wilkins-Block desfavorável, situação em que a cirurgia convencional é a melhor opção.
- C)Estenose mitral e valvoplastia mitral por cateter-balão.
Errada, porque a valvoplastia por balão é mais indicada quando a anatomia valvar é favorável, e um Wilkins-Block de 12 sugere resultado ruim.
- D)Estenose mitral e otimização medicamentosa e reavaliação em 6 meses.
Errada, porque a paciente já é sintomática e tem lesão grave, então não faz sentido apenas otimizar remédios e esperar.
- E)Insuficiência aórtica e otimização medicamentosa e reavaliação em 6 meses.
Errada, porque o quadro clínico e ecocardiográfico não sugerem insuficiência aórtica, e a conduta também não seria apenas medicamentosa.
Gabarito: B
O quadro é clássico de estenose mitral, geralmente associada à febre reumática. O sopro mesodiastólico em ruflar, o estalido de abertura logo após a B2 e as bulhas hiperfonéticas são praticamente a assinatura dessa valvopatia. Quando o ecocardiograma descreve valva em "domo" na diástole, isso reforça muito o diagnóstico, porque a cúspide abre de forma deformada e rígida, como se fizesse uma tenda. A gravidade também importa: a paciente está sintomática, com dispneia aos mínimos esforços, e isso já afasta a ideia de apenas observar. Em estenose mitral grave, a conduta depende muito da anatomia valvar. O escore de Wilkins-Block avalia mobilidade, espessamento, calcificação e aparelho subvalvar. Quando o escore é alto, como 12, a válvula não é uma boa candidata para valvoplastia mitral por cateter-balão, porque o resultado tende a ser ruim e o risco de insuficiência mitral aumenta. Por isso, em paciente sintomática com estenose mitral grave e escore desfavorável, a conduta mais indicada é cirurgia convencional, geralmente com comissurotomia cirúrgica ou troca valvar, conforme a anatomia e a experiência da equipe. Em termos práticos: balão gosta de válvula mais flexível; quando a válvula está dura e deformada, a cirurgia costuma ser o caminho mais seguro e eficaz. Então o gabarito B está correto porque une o diagnóstico certo, estenose mitral, com a conduta adequada para anatomia desfavorável e sintomas importantes: cirurgia convencional.