Paciente do sexo feminino, 67 anos de idade, após queda da própria altura apresentou fratura da extremidade proximal do fêmur AO 3 1 – B 3. HPP: Paciente hipertensa, coronariopata estável e nefropata. Faz uso regular de anti-hipertensivo e AAS. Ao ser questionada, a paciente informou que mora sozinha, viaja com frequência e faz aulas regulares de dança de salão. Nesse caso, assinale a opção que indica a conduta mais adequada e com menor índice de revisão.
- A)Artroplastia total do quadril.
Correta: em idosa ativa e independente com fratura desviada do colo femoral, a artroplastia total do quadril oferece melhor função e menor risco de revisão do que a hemiartroplastia.
- B)Redução da fratura e fixação com três parafusos instalados na configuração triangular.
Errada: três parafusos é conduta de preservação da cabeça femoral, mais indicada em fraturas não desviadas ou em pacientes jovens.
- C)Artroplastia parcial do quadril com prótese bipolar.
Errada: a prótese bipolar é artroplastia parcial e costuma ser reservada a pacientes com menor demanda funcional.
- D)Artroplastia parcial do quadril com prótese monopolar.
Errada: a prótese monopolar tem maior limitação funcional e é menos indicada em paciente ativa e independente.
- E)Redução e fixação com sistema DHS.
Errada: DHS é mais usado em fraturas pertrocantéricas/intertrocantéricas, não sendo a melhor escolha para fratura do colo femoral desviada.
Gabarito: A
Fratura da extremidade proximal do fêmur em idoso exige pensar em dois blocos: fratura intracapsular do colo femoral e fratura pertrocantérica/intertrocantérica. Quando a fratura é do colo e está deslocada, a solução costuma ser artroplastia, porque a chance de não consolidação e necrose da cabeça femoral é alta se você tentar salvar com parafusos. Em paciente jovem, tudo muda, porque aí vale mais preservar a cabeça femoral. Nesta questão, a classificação AO 3 1 - B 3 aponta uma lesão do colo femoral com desvio, em paciente de 67 anos, então a lógica é tratamento artroplástico. A escolha entre artroplastia parcial e total depende muito do perfil funcional. Paciente que mora sozinha, viaja, dança salão e, portanto, tem alto nível de independência e demanda funcional, tende a se beneficiar mais da artroplastia total do quadril. Ela oferece melhor função, menos dor residual e menor necessidade de revisão em comparação com a hemiartroplastia em pacientes ativos. Em termos práticos: se a pessoa quer voltar a usar o quadril de forma bem livre, a cabeça e o acetábulo artificiais juntos costumam entregar melhor resultado. A artroplastia parcial, seja monopolar ou bipolar, é mais usada em pacientes com menor demanda funcional, fragilidade maior ou expectativa de uso menos exigente do quadril. Já a fixação com parafusos, DHS ou outras osteossínteses tem papel mais restrito, geralmente em fraturas menos deslocadas ou em pacientes mais jovens. Então, aqui o gabarito A está correto porque combina o tipo de fratura, a idade e o perfil funcional da paciente, além de ter menor índice de revisão entre as opções oferecidas.