Em relação à febre reumática, é correto afirmar que
- A)o comprometimento do miocárdio sem valvulopatia pode ocorrer e não requer tratamento específico.
Errada, porque o comprometimento miocárdico na febre reumática não é ignorado e a cardite exige avaliação e conduta específica, sobretudo pelo risco de lesão valvar.
- B)os níveis de ASLO têm pico em 4 a 5 semanas após a infecção estreptocócica e não se correlacionam com a gravidade da doença.
Certa, porque a ASLO atinge pico em cerca de 4 a 5 semanas após a infecção estreptocócica e não se correlaciona com a gravidade da febre reumática.
- C)a coreia de Sydenham caracteriza-se por movimentos involuntários, assimétricos e bruscos durante a vigília e o sono.
Errada, porque a coreia de Sydenham tende a piorar durante o sono e os movimentos não são descritos como presentes da mesma forma durante vigília e sono.
- D)nos casos de cardite sem lesão valvar, a profilaxia secundária com penicilina deve ser mantida até os 40 anos de idade.
Errada, porque a duração da profilaxia secundária depende da presença de cardite e de lesão valvar, e não há regra fixa de manter até os 40 anos em todo caso sem lesão valvar.
- E)a artrite é extremamente dolorosa, com sinais flogísticos intensos e se associa ao eritema marginatum.
Errada, porque a artrite da febre reumática costuma ser migratória, muito dolorosa, porém o eritema marginatum é uma manifestação cutânea separada e não uma associação obrigatória.
Gabarito: B
A febre reumática é uma complicação inflamatória que aparece após infecção por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, sobretudo faringite, e pode atingir articulações, coração, pele e sistema nervoso. O quadro clássico lembra o critério de Jones, que organiza as manifestações maiores e menores para ajudar no diagnóstico clínico. O ponto importante é que nem toda “marcação” do estreptococo significa doença ativa: os sorológicos servem para mostrar infecção prévia, não para medir gravidade. Nesse cenário, a ASLO (antistreptolisina O) costuma subir algumas semanas depois da infecção, com pico em cerca de 4 a 5 semanas, e depois vai caindo gradualmente. Ela ajuda a comprovar que houve contato recente com o estreptococo, mas não acompanha o tamanho do estrago nem define se a febre reumática está leve ou grave. Ou seja: é uma peça de confirmação, não de termômetro da doença. Por isso o gabarito é a letra B. A banca está cobrando exatamente essa cronologia e a limitação da ASLO: pico tardio e ausência de correlação com gravidade. Em prova, esse tipo de detalhe adora aparecer para confundir você com a ideia de que “anticorpo alto = doença pior”, o que aqui não vale. Na prática, a febre reumática deve acender a luz vermelha para prevenção de novos surtos e para avaliação cardíaca, porque a cardite pode deixar sequelas valvares importantes. Então, sempre que o tema aparecer, pense em pós-estreptococo, Jones e profilaxia secundária prolongada quando indicada.