Sobre sedoanalgesia em UTI, assinale a afirmativa correta.
- A)A dexmedetomidina possui boa ação para controle álgico, além de atividade simpaticomimética.
Errada: a dexmedetomidina tem efeito sedativo e analgésico poupador de opioide, mas não é uma droga de boa analgesia isolada e sua ação é simpaticolítica, não simpaticomimética.
- B)A síndrome de infusão de propofol é caracterizada por acidose metabólica, hipertrigliceridemia, bradicardia e hipotensão, sendo um efeito adverso que pode ocorrer independentemente da dose utilizada.
Errada: a síndrome da infusão de propofol pode cursar com acidose metabólica, hipertrigliceridemia, bradicardia e hipotensão, mas seu risco está relacionado sobretudo a doses altas e uso prolongado, não é um evento tipicamente independente da dose.
- C)A quetamina é a medicação que apresenta contraindicação absoluta à sua utilização em pacientes com suspeita de hipertensão intracraniana.
Errada: a quetamina aumenta pressão arterial e frequência cardíaca e foi por muito tempo evitada em suspeita de hipertensão intracraniana, mas isso não configura contraindicação absoluta.
- D)A complicação possível na utilização do fentanil, ainda que rara, é o advento de síndrome do tórax rígido.
Certa: o fentanil pode, raramente, causar síndrome do tórax rígido, especialmente quando administrado rapidamente ou em doses altas.
- E)Uma das opções viáveis para sedação é a utilização de etomidato em bomba de infusão contínua.
Errada: o etomidato não é usado como sedação contínua em bomba na UTI, pois pode causar supressão adrenal e não é fármaco de manutenção sedativa.
Gabarito: D
Na UTI, sedoanalgesia não é só "deixar o paciente quieto": a ideia é aliviar dor, reduzir ansiedade e permitir conforto e sincronia com o ventilador, sempre com monitorização fina. Em geral, opioides tratam dor, sedativos tratam agitação/ansiedade, e a escolha depende do perfil hemodinâmico, da necessidade de despertar diário e dos efeitos adversos. A sedação ideal costuma usar a menor dose possível e, quando dá, fármacos de ação previsível, para evitar delirium, hipotensão e prolongamento da ventilação mecânica. Por isso, drogas como propofol, dexmedetomidina e opioides são muito cobradas, cada uma com seu "ponto forte" e sua armadilha clássica. O gabarito é a letra D porque o fentanil, embora seja muito usado e geralmente bem tolerado, pode causar síndrome do tórax rígido. Esse efeito adverso é raro, mas clássico, especialmente com doses altas ou administração rápida, levando a redução da complacência torácica e dificuldade ventilatória. É uma pegadinha favorita de prova porque a droga é corriqueira, mas o evento é incomum e muito cobrado. As outras alternativas misturam conceitos: dexmedetomidina não é analgésico potente e tem efeito simpaticolítico, não simpaticomimético; a síndrome da infusão de propofol é grave, mas não ocorre "independentemente da dose" de forma clássica; quetamina não tem contraindicação absoluta em hipertensão intracraniana; e etomidato não é opção de manutenção contínua em bomba de infusão por risco de supressão adrenal e outros problemas.