Das opções a seguir, assinale a que apresenta o melhor prognóstico para um paciente com doença de Legg Perthes.
- A)Abdução em dobradiça.
Errada: a abdução em dobradiça sugere deformidade e incongruência articular, o que piora o prognóstico.
- B)Sinal de Gage positivo.
Errada: o sinal de Gage positivo costuma indicar acometimento mais grave da epífise, associado a pior evolução.
- C)Início antes dos seis anos.
Certa: início antes dos 6 anos é um dos principais fatores de bom prognóstico na doença de Perthes.
- D)Manutenção de 30% da altura do pilar lateral.
Errada: manter apenas 30% da altura do pilar lateral indica grande perda de suporte lateral, achado de pior prognóstico.
- E)Ter apenas restrição da rotação interna em 10 graus.
Errada: restrição mínima da rotação interna isoladamente não é o principal fator prognóstico favorável; os dados mais fortes são idade de início e preservação da cabeça femoral.
Gabarito: C
A doença de Legg-Calvé-Perthes é uma necrose avascular da cabeça femoral na infância, e o prognóstico depende muito de idade de início, gravidade do colapso e capacidade da cabeça femoral de se remodelar. Em geral, quanto mais jovem a criança quando a doença começa, melhor tende a ser a recuperação, porque o osso ainda tem grande potencial de remodelação. É o famoso caso em que a idade joga a favor do paciente. Entre os fatores prognósticos, o início antes dos 6 anos é um dos mais favoráveis, pois a cabeça femoral ainda tem maior chance de voltar a uma forma mais próxima do normal. Já achados como sinal de Gage positivo, abdução em dobradiça e perda importante da altura do pilar lateral apontam para deformidade maior e, portanto, pior prognóstico. Ou seja: aqui não basta olhar o nome bonito do achado, tem que saber se ele indica preservação ou destruição da cabeça femoral. A alternativa correta é a letra C. O começo precoce da doença significa maior capacidade de remodelação da epífise femoral e, por isso, melhor desfecho funcional e anatômico. Em provas de Ortopedia, essa é uma regra clássica: idade menor no início = prognóstico mais favorável. Na prática, o raciocínio é simples: quanto mais a cabeça femoral se deforma, mais risco de incongruência articular e artrose precoce no futuro. Então, se a questão quiser o melhor prognóstico, procure o paciente mais jovem e com menor comprometimento estrutural.