Uma criança de 3 anos apresenta episódios de movimentos involuntários, olhar vago e ausência de resposta durante alguns segundos. Os episódios ocorrem várias vezes ao dia. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
- A)epilepsia do lobo temporal.
Errada, porque a epilepsia do lobo temporal costuma ter aura e automatismos mais complexos, não episódios breves e repetidos de suspensão da consciência nessa faixa etária.
- B)convulsões de ausência.
Certa, pois o quadro é típico de crises de ausência: lapsos breves de consciência, olhar vago e rápida recuperação, com repetição várias vezes ao dia.
- C)espasmos infantis (Síndrome de West).
Errada, porque espasmos infantis ocorrem principalmente em lactentes, com contrações súbitas em flexão ou extensão, e não como episódios breves de ausência em uma criança de 3 anos.
- D)epilepsia mioclônica juvenil.
Errada, porque a epilepsia mioclônica juvenil costuma surgir na adolescência e se manifesta com mioclonias matinais, não com crises de desligamento repetidas na primeira infância.
- E)convulsões febris complexas.
Errada, porque convulsões febris complexas exigem febre e têm outro padrão clínico, geralmente mais prolongado e sem o perfil típico de ausência.
Gabarito: B
A criança de 3 anos com episódios rápidos de olhar parado, ausência de resposta e movimentos involuntários repetidos várias vezes ao dia lembra muito crise de ausência. Nesse tipo de crise, a criança “desliga” por alguns segundos, fica com o olhar vago, pode ter pequenos automatismos e logo volta ao normal, quase como se nada tivesse acontecido. O ponto-chave é a brevidade, a repetição ao longo do dia e a recuperação imediata, sem fase pós-ictal importante. As crises de ausência são mais comuns na idade escolar, mas podem aparecer em crianças pequenas, e fazem parte das epilepsias generalizadas. O EEG costuma mostrar o clássico padrão de ponta-onda generalizada a 3 Hz, que é bem cobrado em prova. Na prática, o quadro assusta os pais, mas a criança geralmente não cai, não fica sonolenta depois e os episódios são muito frequentes. Isso difere de convulsão febril, que acontece no contexto de febre e costuma ser um evento convulsivo mais prolongado e tônico-clônico. Também difere de espasmos infantis, que ocorrem em lactentes bem menores, geralmente no primeiro ano de vida, com flexão brusca do tronco e dos membros. Epilepsia do lobo temporal costuma dar aura, alteração de consciência e automatismos, mas não esse padrão clássico de múltiplas pausas breves ao dia. Então, o gabarito B está correto porque o quadro descreve, de forma muito típica, crises de ausência: episódios curtos, repetidos, com olhar vago e interrupção momentânea da atividade. Em pediatria, quando a prova fala em criança que “apaga por segundos” várias vezes ao dia, a mente já pode acender a luz amarela da ausência.