A pneumonia por Pneumocystis jiroveci é a mais frequente infecção oportunista (IO) em crianças infectadas pelo HIV. A doença pode manifestar-se rapidamente, causando insuficiência respiratória com alta letalidade. Quanto à quimioprofilaxia para Pneumocystis jiroveci em crianças expostas ao HIV durante a gestação, assinale a opção que indica a conduta correta.
- A)Indicar a profilaxia se a contagem de LT-CD4+ for menor que 200 céls/mm3 ou LT-CD4 < 25% até 1 ano de idade, em crianças infectadas.
Errada, porque o ponto de corte de CD4 isolado e o limite de 200 céls/mm3 não são o critério usado para lactentes expostos ao HIV.
- B)Indicar a profilaxia se a contagem de LT-CD4+ for menor que 350 céls/mm3 ou LT-CD4 < 25% até 1 ano de idade, em crianças infectadas.
Errada, porque 350 céls/mm3 não é o parâmetro clássico para indicar profilaxia de Pneumocystis em crianças pequenas.
- C)Indicar a profilaxia se a contagem de LT-CD4+ for menor que 200 céls/mm3 ou LT-CD4 < 25% até 2 anos de idade, em crianças infectadas.
Errada, porque o limite etário de 2 anos não corresponde à conduta padrão para início/manutenção da profilaxia nessa situação.
- D)Indicar a profilaxia a partir de quatro semanas de vida, até que tenham duas CV indetectáveis; em crianças infectadas, manter até um ano de idade, independentemente da contagem de LT-CD4+.
Certa, porque a profilaxia deve começar aos 4 semanas de vida nos expostos e ser mantida até a exclusão da infecção; se a criança estiver infectada, mantém-se até 1 ano de idade independentemente do CD4.
- E)Indicar a profilaxia, a partir oito semanas de vida, até que tenham duas CV indetectáveis; em crianças infectadas, manter até um ano de idade, independentemente da contagem de LT-CD4+.
Errada, porque o início aos 8 semanas atrasa a proteção e não é o marco recomendado para essa profilaxia.
Gabarito: D
A profilaxia da pneumonia por Pneumocystis jiroveci em crianças expostas ao HIV existe porque essa infecção oportunista pode aparecer cedo e evoluir rápido, com quadro respiratório grave. Por isso, a lógica não é esperar a criança "dar sinal" de imunossupressão: em lactentes expostos, a profilaxia é iniciada precocemente, a partir de 4 semanas de vida, enquanto se acompanha a investigação diagnóstica do HIV. Se a criança não estiver infectada, a profilaxia pode ser suspensa quando houver evidência laboratorial consistente de ausência de infecção, como duas cargas virais indetectáveis. Já nas crianças infectadas, a conduta é manter a profilaxia até 1 ano de idade, independentemente da contagem de LT-CD4+, porque nesse período o risco é alto e a interpretação imunológica em lactentes ainda tem limitações. É justamente isso que torna a alternativa D correta: ela traduz a estratégia prática de proteção precoce para o exposto ao HIV e de manutenção mais prolongada para o infectado. Em prova, a banca gosta de testar essa ideia de "profilaxia por idade e status infeccioso", e não só por número de CD4. Como referência doutrinária, isso está alinhado às diretrizes pediátricas de HIV e de profilaxia de infecções oportunistas, que recomendam cotrimoxazol (sulfametoxazol-trimetoprima) para prevenção de PCP em lactentes expostos ou infectados, com suspensão apenas quando a infecção for excluída ou quando houver critérios clínicos e imunológicos adequados.