Paciente do sexo feminino, 70 anos, dá entrada no ProntoSocorro com o relato de ter aferido a pressão arterial em casa e ela estar alta. Refere ter passado por situação estressante há uma hora e ainda ter má-aderência à medicação anti-hipertensiva. À admissão, PA 170x98mmHg, sem outros sintomas e sem alterações de exame clínico. Com relação a essa paciente, assinale a afirmativa correta.
- A)Trata-se de uma emergência hipertensiva – paciente deve ser admitida na sala de emergência imediatamente e há indicação de iniciar nitroprussiato intravenoso.
Errada, porque não há emergência hipertensiva nem indicação de nitroprussiato intravenoso na ausência de lesão aguda de órgão-alvo.
- B)Trata-se de uma urgência hipertensiva – paciente pode ser manejada na sala de medicação do Pronto-Socorro e reavaliada. Realizar hidralazina em bolus intravenosa.
Errada, porque hidralazina intravenosa em bolus não é conduta de rotina para esse quadro e a paciente não tem critérios de urgência grave ou emergência.
- C)Trata-se de uma urgência hipertensiva – mandatória coleta de exames laboratoriais de lesão de órgão-alvo e de realização de fundoscopia. Realizar captopril sublingual.
Errada, porque a paciente não tem quadro que imponha investigação mandatória de lesão aguda nem uso de captopril sublingual como medida obrigatória.
- D)Não há urgência nem emergência hipertensiva – realizar nifedipino sublingual, visando à PA < 140x90mmHg e orientar procurar cardiologista.
Errada, porque nifedipino sublingual não deve ser usado para baixar a pressão rapidamente, e a meta imediata de PA < 140x90 mmHg não é a conduta correta no PS.
- E)Não há urgência nem emergência hipertensiva – pode-se realizar medicação anti-hipertensiva oral com efeito ansiolítico, como clonidina. Orientar melhor controle pressórico e retorno breve em médico da família.
Certa, porque trata-se de elevação pressórica sem sinais de emergência, com possibilidade de manejo com medicação oral, como clonidina, e orientação de seguimento breve.
Gabarito: E
Nem toda pressão alta no Pronto-Socorro é uma catástrofe imediata. O que define emergência hipertensiva não é só o número da PA, mas a presença de lesão aguda de órgão-alvo, como AVC, edema agudo de pulmão, dissecção de aorta, encefalopatia hipertensiva ou insuficiência renal aguda. Aqui, a paciente está assintomática, sem alterações no exame clínico, com PA de 170x98 mmHg, após estresse e com má adesão ao tratamento. Isso sugere uma elevação pressórica sem sinais de gravidade no momento. Nesses casos, não se deve fazer queda brusca da pressão, porque isso pode reduzir perfusão de órgãos e trazer mais risco do que benefício. Também não há indicação de drogas sublinguais de ação rápida, nem de vasodilatadores intravenosos, que ficam reservados para situações com lesão aguda de órgão-alvo. O manejo correto é observação clínica, ajuste/retomada da medicação anti-hipertensiva por via oral e orientação de seguimento próximo. A clonidina pode ser usada em alguns contextos por via oral, inclusive ajudando quando há componente ansioso e necessidade de rebaixamento gradual da PA, sem a pressa desnecessária que tantas questões gostam de testar. Em resumo: sem sintomas, sem sinais de dano agudo e com contexto de estresse e adesão ruim, o raciocínio é de manejo ambulatorial ou no PS com medicação oral e retorno breve, e não de sala vermelha.