Paciente do sexo feminino, 35 anos, procura atendimento para avaliação de alteração da radiografia de tórax. Tem história de asma e tem apresentado exacerbações severas frequentes nos últimos anos, principalmente no período do inverno. No momento está assintomática, sem outras comorbidades. Faz uso de formoterol/budesonida, inalados diariamente. Exame físico sem alterações significativas. Hemograma com eosinofilia. IgE maior que 1000UI/mL. TC de tórax apresenta bronquiectasias. Assinale a opção que indica o tratamento de escolha para essa condição.
- A)Ampicilina.
Ampicilina não trata ABPA, porque aqui o problema não é uma infecção bacteriana comum, e sim uma reação inflamatória alérgica ao Aspergillus.
- B)Prednisona.
Prednisona é o tratamento de escolha na ABPA, pois reduz a inflamação eosinofílica e a resposta imune exagerada associada ao fungo.
- C)Itraconazol.
Itraconazol pode ser usado como adjuvante em alguns casos, mas não é a terapia de primeira linha da ABPA.
- D)Aziitromicina.
Azitromicina não resolve o mecanismo da ABPA e não é o tratamento indicado para essa condição.
- E)Anfotericina B.
Anfotericina B é antifúngico para micoses sistêmicas graves, mas não é o tratamento padrão da ABPA.
Gabarito: B
O quadro é bem sugestivo de aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), uma complicação clássica da asma. Pense nela quando a pessoa tem asma de difícil controle, eosinofilia, IgE muito elevada e bronquiectasias na tomografia. Aqui, a radiografia alterada não é “só uma imagem”: ela está contando uma história de inflamação alérgica intensa nas vias aéreas. Na ABPA, o fungo Aspergillus desencadeia uma resposta imunológica exagerada. Isso leva a obstrução brônquica, impactação de muco, inflamação eosinofílica e, com o tempo, bronquiectasias. O paciente pode até estar assintomático no momento, mas o risco de progressão estrutural pulmonar existe, então o tratamento não é para “observar e esperar”. O tratamento de escolha é corticoide sistêmico, geralmente prednisona. A ideia é frear a resposta inflamatória alérgica que está alimentando a doença. Os antifúngicos, como itraconazol, podem ter papel adjuvante em alguns casos, mas não substituem a base do tratamento inicial. A banca costuma cobrar exatamente isso: ABPA em asmático com IgE alta e bronquiectasias, e a resposta certa é corticoide oral. Em resumo: asma + eosinofilia + IgE muito elevada + bronquiectasias = pense em ABPA. E, nessa pegadinha clássica, o tratamento de primeira linha é prednisona.