Em relação à hepatite autoimune (HAI), avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) São fatores de mau prognóstico: presença de cirrose hepática ao diagnóstico, elevação persistente da alanina aminotransferase (ALT) e raça branca. ( ) O diagnóstico da hepatite autoimune é feito com base no quadro clínico, bioquímico, histologia hepática e resposta ao tratamento. ( ) Do ponto de vista laboratorial corroboram o diagnóstico de hepatite autoimune a elevação da gamaglobulina, imunoglobulina A e elevação das transaminases superior ao grau de elevação das enzimas canaliculares. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V – V – F.
Errada, porque o primeiro e o terceiro enunciados estão incorretos ao misturar ou trocar critérios clássicos da hepatite autoimune.
- B)F – V – F.
Certa, pois o diagnóstico realmente é integrado e os outros dois itens trazem erros conceituais sobre prognóstico e imunoglobulina.
- C)F – V – V.
Errada, porque o primeiro item não é verdadeiro e o terceiro também erra ao citar IgA em vez de IgG.
- D)V – F – V.
Errada, porque o segundo item está correto e não pode ser marcado como falso.
- E)F – F – V.
Errada, porque o segundo item é verdadeiro e o terceiro traz um erro laboratorial importante.
Gabarito: B
A hepatite autoimune (HAI) é uma doença inflamatória crônica do fígado, causada por perda de tolerância imunológica, e pode aparecer em qualquer idade, sobretudo em mulheres. Na prática, você desconfia quando há elevação de transaminases, hipergamaglobulinemia e autoanticorpos, mas o diagnóstico não é feito por um dado isolado: ele nasce da soma de clínica, exames laboratoriais, histologia e resposta ao tratamento. O primeiro item da questão mistura uma informação correta com outras problemáticas. Cirrose ao diagnóstico realmente piora o prognóstico, mas a associação com raça branca como fator de mau prognóstico não é a forma clássica cobrada, então a assertiva fica falsa. Além disso, em HAI o que costuma pesar mais é atividade inflamatória persistente, falha terapêutica e presença de cirrose, e não uma classificação racial como regra prognóstica principal. O segundo item está correto: o diagnóstico de HAI é integrado. Você não fecha esse diagnóstico só com o laboratório, nem só com a biópsia. O raciocínio é clínico-laboratorial-histológico, com apoio da exclusão de outras causas e, muitas vezes, melhora com corticoide/imunossupressão reforçando a hipótese. O terceiro item também cai por um detalhe clássico de prova: na HAI, o marcador que costuma subir é a imunoglobulina G (IgG), e não a IgA. Também é esperado padrão hepatocelular, com transaminases desproporcionalmente mais elevadas do que enzimas canaliculares, o que ajuda a diferenciar de colestases. Por isso, o gabarito B (F - V - F) está correto.