Paciente de 58 anos admitida por queixa de cefaleia e tontura recorrente há seis meses evoluindo com piora progressiva. Ao exame, muito hipocorada, com sinais vitais estáveis, negando exteriorização de sangramento. Médico atendente solicita exames laboratoriais, suspeitando de anemia, cujos resultados revelam: Hb 5,5mg/dL, Ht 17,8; microcitose e hipocromia, RDW aumentado, reticulócitos baixos e trombocitose. A etiologia mais provável dessa anemia é:
- A)anemia ferropriva;
Correta: o padrão de microcitose, hipocromia, RDW aumentado, reticulócitos baixos e trombocitose é muito sugestivo de anemia ferropriva.
- B)anemia hemolítica autoimune;
Errada: na anemia hemolítica autoimune, o esperado é reticulocitose, porque a medula responde à destruição das hemácias.
- C)doença linfoproliferativa;
Errada: doenças linfoproliferativas podem causar anemia, mas não explicam bem esse perfil microcítico-hipocrômico com trombocitose.
- D)mielodisplasia;
Errada: mielodisplasia pode gerar anemia, porém o conjunto laboratorial clássico aqui favorece deficiência de ferro, não displasia medular como primeira hipótese.
- E)talassemia.
Errada: talassemia também pode ser microcítica, mas costuma ter RDW menos elevado e não combina tão bem com reticulócitos baixos e trombocitose.
Gabarito: A
O quadro é de anemia microcítica e hipocrômica com RDW aumentado, reticulócitos baixos e trombocitose, o que aponta muito para deficiência de ferro. Em geral, quando o organismo está sem ferro, a medula não consegue fabricar hemácias direito, então a produção cai e os reticulócitos ficam baixos. A microcitose e a hipocromia aparecem porque a hemoglobina depende do ferro para ser formada adequadamente. O RDW aumentado também ajuda bastante: ele mostra que há muita variação no tamanho das hemácias, algo bem típico da anemia ferropriva. A trombocitose reativa pode aparecer nessa situação e costuma confundir quem está pensando em outras causas de anemia microcítica. Aqui, a paciente ainda nega sangramento exteriorizado, mas isso não exclui perda crônica oculta, especialmente gastrointestinal, que é uma causa clássica em mulheres pós-menopausa. Já as anemias hemolíticas costumam ter reticulócitos altos, porque a medula tenta compensar a destruição aumentada das hemácias. Talassemia costuma ter microcitose, mas geralmente com RDW normal ou pouco alterado, e o contexto laboratorial não bate tão bem. Mielodisplasia pode causar citopenias e alterações de forma, mas não é o padrão mais provável nesse conjunto. Em prova, pense assim: microcitose + hipocromia + RDW alto + reticulócito baixo = ferropriva até prova em contrário. É a combinação mais clássica e, nesta questão, fecha com o gabarito A.