O câncer de colo do útero, também conhecido por câncer cervical, é uma doença de evolução lenta que acomete, sobretudo, mulheres acima dos 25 anos. O principal agente da enfermidade é o papilomavírus humano (HPV). Antes de tornar-se maligno, o que leva alguns anos, o tumor passa por uma fase de pré-malignidade, denominada NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical), que pode ser classificada em graus I, II, III e IV de acordo com a gravidade do caso. Sobre esse tema, conforme as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Mulheres HIV positivas com contagem de linfócitos CD4+ abaixo de 200 células/mm3 devem ter priorizada a correção dos níveis de CD4+ e, enquanto isso, devem ter o rastreamento citológico a cada 12 meses.
Errada: em mulheres vivendo com HIV e CD4 abaixo de 200, o rastreamento deve ser mais frequente do que anual, em geral semestral, devido ao maior risco de persistência/progressão das lesões.
- B)Mulheres sem história de atividade sexual não devem ser submetidas ao rastreamento do câncer do colo do útero.
Certa: sem atividade sexual prévia, não há indicação de rastreamento de colo do útero pelas diretrizes brasileiras.
- C)O rastreamento citológico em mulheres menopausadas pode levar a resultados falso-positivos causados pela atrofia secundária ao hipoestrogenismo, gerando ansiedade na mulher e procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários.
Certa: a atrofia da menopausa pode simular alterações citológicas e gerar falso-positivos e procedimentos desnecessários.
- D)Mulheres submetidas à histerectomia total por lesões benignas, sem história prévia de diagnóstico ou tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento, desde que apresentem exames anteriores normais.
Certa: após histerectomia total por lesão benigna, sem antecedente de lesão cervical de alto grau, a mulher pode sair do rastreamento.
- E)O rastreamento em gestantes deve seguir as recomendações de periodicidade e faixa etária como para as demais mulheres.
Certa: gestantes devem seguir a mesma faixa etária e periodicidade de rastreamento das demais mulheres.
Gabarito: A
O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil é feito, em regra, com citologia cervical para mulheres na faixa etária recomendada e que já tiveram atividade sexual. A lógica é simples: detectar lesões precursoras antes que virem câncer, porque esse tumor costuma evoluir devagar e dá tempo de agir se você estiver rastreando direito. Nas mulheres com maior risco, como as vivendo com HIV, o acompanhamento é mais apertado. Não dá para tratar como rastreamento de rotina comum, porque a imunossupressão aumenta a chance de persistência do HPV e de progressão das lesões. Por isso, as diretrizes brasileiras indicam seguimento citológico mais frequente, em geral semestral, especialmente quando há CD4 baixo, e não apenas anual. A alternativa A erra exatamente aí: em mulher HIV positiva com CD4 abaixo de 200 células/mm3, não basta dizer que o rastreamento será a cada 12 meses enquanto se corrige o CD4. O controle precisa ser mais próximo, com periodicidade menor, porque o risco oncológico é maior. É o tipo de detalhe que a banca adora: troca um intervalo e muda toda a conduta. As demais assertivas seguem a linha das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: não rastrear quem nunca teve atividade sexual, reconhecer falso-positivo por atrofia na menopausa, excluir da rotina quem fez histerectomia total por doença benigna sem história de lesão de alto grau e manter o rastreamento na gestante conforme idade e periodicidade habituais.