Muitos artrópodes como escorpiões e aranhas, são predadores que utilizam seu próprio veneno para imobilizar sua presa. A tityustoxina, toxina de interesse médico proveniente de escorpiões do gênero Tityus, possui atividade neurotóxica tecidual devido à sua ação nos canais de sódio pós-ganglionares. ANDRADE FILHO, A.; CAMPOLINA, D.; DIAS, M. B. Toxicologia na prática clínica. Belo Horizonte: Folium, 2001. p. 156-156. Acerca do tratamento de acidentes por picada de escorpião do gênero supracitado, analise os itens a seguir. I. Casos leves devem permanecer em observação, sendo tratados, a princípio, somente com analgésicos para combater a dor. II. Em casos moderados é indicado o uso de duas ampolas de soro antiescorpiônico por via intramuscular e tratamento da dor e distúrbios eletrolíticos. III. Em casos graves é indicado o uso de quatro ampolas de soro antiescorpiônico, sendo que a dose não varia de acordo com a idade ou o peso do paciente. Está correto o que se afirma em
- A)II, apenas.
A alternativa afirma que os casos leves de acidente por escorpião devem ficar em observação e receber, inicialmente, apenas analgésicos para controle da dor. Isso corresponde ao manejo dos quadros leves, em que a conduta é basicamente sintomática, sem indicação de soro antiescorpiônico. Em protocolos assistenciais, pode-se ainda considerar anestésico local, mas a ideia central da alternativa está correta.
- B)I e II, apenas.
A alternativa diz que os casos moderados devem receber duas ampolas de soro antiescorpiônico por via intramuscular, além do tratamento da dor e de alterações eletrolíticas. O problema é técnico: o soro antiescorpiônico é administrado por via intravenosa, não intramuscular, porque precisa ser absorvido rapidamente e aplicado em ambiente de observação. Assim, embora a indicação de soroterapia nos quadros moderados faça sentido, a via escolhida invalida a afirmativa.
- C)I e III, apenas.
A alternativa sustenta que os casos graves devem receber quatro ampolas de soro antiescorpiônico e que essa dose não depende da idade ou do peso do paciente. Isso está de acordo com a soroterapia para escorpionismo, em que a quantidade de antiveneno é definida pela gravidade do quadro, e não por peso corporal, tanto em adultos quanto em crianças. Nos casos graves, a prioridade é neutralizar o veneno com dose maior e suporte clínico intensivo.
- D)II e III, apenas.
A alternativa mistura a conduta dos casos moderados com a dose indicada para casos graves. Além disso, repete o erro da via intramuscular, que não é a forma correta de administrar o soro antiescorpiônico, já que a aplicação deve ser intravenosa. Por juntar dose e via incompatíveis com o protocolo, a afirmação não se sustenta no mérito.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que as três proposições estariam corretas, o que exigiria que o manejo dos casos leves, a soroterapia dos moderados e a conduta dos graves estivessem todos adequados. Como o item II erra a via de administração do soro antiescorpiônico, o conjunto não pode ser integralmente verdadeiro. Assim, a conclusão global fica comprometida por depender de uma afirmativa tecnicamente incorreta.
Gabarito: C
No acidente por escorpião do gênero Tityus, o quadro clínico manda no tratamento. Em casos leves, o paciente costuma ficar em observação e recebe medidas sintomáticas, principalmente analgesia, porque a dor local pode ser bem intensa e o restante do quadro é discreto. Isso torna a afirmativa I correta. Nos casos moderados e graves, o ponto principal é o soro antiescorpiônico, que deve ser feito por via intravenosa, e não intramuscular. Além disso, o número de ampolas varia conforme a gravidade e, na prática, os protocolos consideram a faixa etária e o peso especialmente na pediatria e na avaliação clínica global. Por isso, a afirmativa II erra ao falar em 2 ampolas por via IM e ao simplificar o manejo dos distúrbios associados. Nos casos graves, o uso de 4 ampolas do soro é a conduta clássica nos protocolos, associado ao suporte clínico intensivo, como controle da dor, correção de alterações eletrolíticas e monitorização. A afirmativa III está alinhada com essa lógica geral do tratamento. Resultado: o gabarito é C, pois apenas I e III estão corretas.