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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino, 26 anos, febre, prostração e poliartralgias há 7 dias. Exame clínico: temperatura de 38,5°C, lesões vesiculares e pustulosas em dorso das mãos e região do colo, algumas com centro necrótico, artrite em tornozelo esquerdo e tenossinovite em punho direito. A conduta inicial mais adequada para este caso é

Gabarito: C

O quadro descreve uma infecção gonocócica disseminada, classicamente a chamada síndrome artrite-dermatite: febre, mal-estar, poliartralgia, tenossinovite e lesões cutâneas pustulosas ou vesiculopustulosas, muitas vezes com centro necrótico. Em geral, o paciente pode nem relatar sintomas genitais importantes, o que faz muita gente pensar primeiro em virose, vasculite ou doença reumatológica. Mas quando você junta pele + articulação + febre, o alerta para infecção sobe rápido. O agente mais comum é a Neisseria gonorrhoeae. A investigação inicial deve buscar o foco infeccioso com cultura de secreções de sítios possíveis de infecção, como uretra, faringe, reto e, se houver, material de lesão. Isso é importante porque o diagnóstico microbiológico orienta a confirmação e o tratamento, embora o início da terapia não deva ficar esperando uma “perfeição laboratorial”. A conduta inicial mais adequada é tratar empiricamente com cefalosporina de terceira geração, principalmente ceftriaxona, porque ela cobre bem gonococo e é o padrão recomendado para gonococemia disseminada. Em outras palavras: diante de um quadro típico, você coleta material para cultura e já entra com cefalosporina de terceira geração sem hesitar. É a medicina do “não deixa a bactéria passear mais”. As lesões pustulosas com conteúdo necrótico e a tenossinovite ajudam bastante a fechar a suspeita. Já febre maculosa, chikungunya, vasculites e dermatoses bolhosas podem até entrar no radar, mas aqui a combinação clínica é muito mais compatível com gonococcemia disseminada do que com essas alternativas.

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