Paciente masculino, 26 anos, febre, prostração e poliartralgias há 7 dias. Exame clínico: temperatura de 38,5°C, lesões vesiculares e pustulosas em dorso das mãos e região do colo, algumas com centro necrótico, artrite em tornozelo esquerdo e tenossinovite em punho direito. A conduta inicial mais adequada para este caso é
- A)VDRL, penicilina benzatina.
Errada: VDRL e penicilina benzatina tratam sífilis, mas o quadro clínico não é de sífilis secundária.
- B)biópsia da lesão, dosagem de IgA, corticosteroide oral.
Errada: biópsia e IgA apontam para vasculite por IgA, porém a apresentação é mais típica de infecção gonocócica disseminada.
- C)cultura de secreções e cefalosporina de terceira geração.
Certa: a suspeita é de gonococemia disseminada, e a conduta inicial inclui cultura de secreções e cefalosporina de terceira geração.
- D)sorologia para Zica e Chikungunya, analgesia.
Errada: zika e chikungunya podem dar artralgia, mas não explicam bem as lesões pustulosas necróticas e a tenossinovite.
- E)raspado da lesão, reação de imunofluorescência indireta para febre maculosa, tetraciclina.
Errada: febre maculosa pode causar exantema e gravidade sistêmica, mas o padrão clínico e a abordagem proposta não são os mais compatíveis aqui.
Gabarito: C
O quadro descreve uma infecção gonocócica disseminada, classicamente a chamada síndrome artrite-dermatite: febre, mal-estar, poliartralgia, tenossinovite e lesões cutâneas pustulosas ou vesiculopustulosas, muitas vezes com centro necrótico. Em geral, o paciente pode nem relatar sintomas genitais importantes, o que faz muita gente pensar primeiro em virose, vasculite ou doença reumatológica. Mas quando você junta pele + articulação + febre, o alerta para infecção sobe rápido. O agente mais comum é a Neisseria gonorrhoeae. A investigação inicial deve buscar o foco infeccioso com cultura de secreções de sítios possíveis de infecção, como uretra, faringe, reto e, se houver, material de lesão. Isso é importante porque o diagnóstico microbiológico orienta a confirmação e o tratamento, embora o início da terapia não deva ficar esperando uma “perfeição laboratorial”. A conduta inicial mais adequada é tratar empiricamente com cefalosporina de terceira geração, principalmente ceftriaxona, porque ela cobre bem gonococo e é o padrão recomendado para gonococemia disseminada. Em outras palavras: diante de um quadro típico, você coleta material para cultura e já entra com cefalosporina de terceira geração sem hesitar. É a medicina do “não deixa a bactéria passear mais”. As lesões pustulosas com conteúdo necrótico e a tenossinovite ajudam bastante a fechar a suspeita. Já febre maculosa, chikungunya, vasculites e dermatoses bolhosas podem até entrar no radar, mas aqui a combinação clínica é muito mais compatível com gonococcemia disseminada do que com essas alternativas.