A metformina constitui um dos pilares do tratamento farmacológico do diabetes mellitus. Assinale a opção que indica o(s) mecanismo(s) de ação desse fármaco.
- A)Inibe a absorção de glicose e sódio no túbulo proximal por meio da inibição do receptor SGLT2 [cotransportador de sódio-glicose-2 (SGLT2)], levando à glicosúria e natriurese.
Errada: a inibição do SGLT2 com glicosúria e natriurese é mecanismo dos inibidores de SGLT2, não da metformina.
- B)Aumenta a absorção de glicose e sódio no túbulo proximal por meio da inibição do receptor SGLT2 [cotransportador de sódio-glicose-2 (SGLT2)], levando à glicosúria e natriurese.
Errada: o efeito é o contrário, pois a metformina não aumenta a absorção de glicose e sódio no túbulo proximal.
- C)Aumenta a sensibilidade insulínica no fígado, reduzindo a produção hepática de glicose e aumenta a captação muscular de glicose (ativação da AMPK).
Certa: a metformina reduz a produção hepática de glicose e melhora a captação periférica, com participação da AMPK.
- D)Aumenta a secreção de insulina dependente de glicose e reduz secreção de glucagon.
Errada: aumentar secreção de insulina e reduzir glucagon é mecanismo típico de agonistas de GLP-1 e de alguns secretagogos, não da metformina.
- E)Reduz a sensibilidade à insulina em músculo, adipócito e hepatócito.
Errada: a metformina melhora, e não reduz, a sensibilidade à insulina em músculo, adipócito e fígado.
Gabarito: C
A metformina é o remédio clássico do diabetes tipo 2 porque atua principalmente diminuindo a produção de glicose pelo fígado e melhorando a ação da insulina nos tecidos periféricos. Em outras palavras, ela ajuda o organismo a “parar de fabricar açúcar em excesso” e a usar melhor a glicose que já existe no sangue. Seu efeito central envolve ativação da AMPK, um caminho metabólico que favorece maior captação de glicose pelo músculo e menor gliconeogênese hepática. Ela não estimula diretamente a secreção de insulina, por isso não costuma causar hipoglicemia quando usada isoladamente. Esse detalhe cai muito em prova, porque a banca gosta de misturar classes diferentes de antidiabéticos e colocar uma função de uma medicação na outra. A metformina é, portanto, um fármaco de base, especialmente útil em pacientes com sobrepeso e resistência insulínica. O gabarito C está correto porque descreve exatamente os efeitos da metformina: aumento da sensibilidade à insulina no fígado, redução da produção hepática de glicose e aumento da captação muscular de glicose. Isso é o núcleo do mecanismo do medicamento. Já a inibição do SGLT2, por exemplo, pertence a outra classe de antidiabéticos, os inibidores de SGLT2, e não à metformina. Na prática, vale guardar a ideia simples: metformina não “força” o pâncreas a trabalhar mais; ela melhora o uso da glicose e corta a produção hepática. Se você lembrar disso, já escapa da maioria das pegadinhas.