Após avaliação por equipe de Medicina Fetal, uma paciente será submetida à transfusão intrauterina por cordocentese, devido ao diagnóstico de doença hemolítica fetal. A respeito desse procedimento, assinale a afirmativa correta.
- A)Deverá ser evitada a punção da veia umbilical em sua inserção placentária.
Errada, porque a punção da veia umbilical na inserção placentária costuma ser uma das abordagens preferidas na cordocentese/transfusão, por facilitar a estabilidade do acesso.
- B)Em fetos com anemia grave e hidrópicos, o volume transfundido deverá ser menor.
Certa, porque em fetos com anemia grave e hidropisia o volume transfundido deve ser ajustado para baixo, já que a fisiologia fetal está alterada e o risco de sobrecarga é maior.
- C)Está contraindicada, durante o procedimento, a coleta de amostra de sangue fetal.
Errada, porque a coleta de sangue fetal durante a cordocentese é justamente parte importante do procedimento para confirmar anemia e orientar a transfusão.
- D)O volume a ser transfundido é calculado levando em consideração o peso materno.
Errada, porque o volume transfundido é calculado com base em parâmetros fetais e do sangue a ser infundido, e não no peso materno.
- E)O sangue a ser transfundido deverá ter hematócrito menor que 40%.
Errada, porque o sangue utilizado na transfusão intrauterina deve ser concentrado de hemácias com hematócrito elevado, e não menor que 40%.
Gabarito: B
A transfusão intrauterina por cordocentese é um procedimento de medicina fetal usado, principalmente, na doença hemolítica fetal quando o bebê está com anemia importante. A ideia é simples: entrar no vaso do cordão, confirmar a situação hematológica do feto e já corrigir o problema na mesma sessão. Parece cirurgia de precisão, e é mesmo: quanto mais delicado o acesso, menor o risco de sangramento e de bradicardia fetal. Nessa técnica, o local de punção pode variar, e a veia umbilical na inserção placentária costuma ser uma área muito usada justamente por ser mais estável. Além disso, em fetos com anemia grave e hidropisia, o cálculo da transfusão precisa ser mais cauteloso, porque a volemia e a distribuição do sangue ficam alteradas. Por isso, o volume a ser infundido tende a ser menor do que em um feto anêmico sem hidropisia, evitando sobrecarga e complicações. A letra B está correta porque a presença de hidropisia fetal muda a fisiologia do paciente e exige ajuste do volume transfundido. Em outras palavras: o feto não é um adulto em miniatura, e nem todo "volume padrão" serve para todo caso. A transfusão intrauterina é guiada por parâmetros como hematócrito desejado, hematócrito do sangue doador e estimativa da volemia fetal, com cuidado extra quando há edema generalizado. As demais alternativas tropeçam em pontos clássicos: a coleta de sangue fetal durante o procedimento pode ser feita, o cálculo não usa peso materno, e o concentrado de hemácias precisa ter hematócrito alto, não baixo. Então, o segredo aqui é lembrar que medicina fetal gosta de precisão, não de chute.