Homem de 68 anos, com hipertensão arterial e história de claudicação intermitente de membros inferiores, foi diagnosticado com fibrilação atrial, após atendimento em unidade de emergência por palpitações e dispneia com 2 horas de duração. Durante a avaliação houve reversão espontânea da arritmia e após 2 dias foi submetido a uma ablação percutânea por radiofrequência da fibrilação. O procedimento foi realizado com sucesso e sem complicações. Quanto ao manejo da terapia antitrombótica após o procedimento, assinale a afirmativa correta.
- A)O paciente deverá ser anticoagulado por tempo indeterminado, preferencialmente com um anticoagulante oral direto.
Correta: o risco tromboembólico permanece elevado pelo CHA2DS2-VASc, então a anticoagulação deve ser mantida por tempo indeterminado, preferencialmente com DOAC.
- B)O paciente deverá receber aspirina e clopidogrel por 1 ano, seguido somente por clopidogrel por tempo indeterminado.
Errada: dupla antiagregação não é o esquema de prevenção de AVC na fibrilação atrial e não substitui anticoagulação oral.
- C)O paciente não precisará de terapia antitrombótica, uma vez que a arritmia foi curada.
Errada: o sucesso da ablação não elimina a indicação de anticoagulação quando o risco tromboembólico do paciente é alto.
- D)O paciente deverá utilizar um anticoagulante oral direto por 3 meses e posteriormente ticagrelor por tempo indeterminado.
Errada: DOAC por 3 meses e depois ticagrelor não é estratégia padrão para FA; ticagrelor é antiagregante, não anticoagulante para prevenção de embolia cardioembólica.
- E)O paciente deverá ser anticoagulado com varfarina por 6 meses, e em seguida poderá interromper a medicação se 3 Holter seriados não demonstrarem recidiva da arritmia.
Errada: varfarina pode ser usada em alguns casos, mas não há regra de suspender apenas por Holter negativo, pois a decisão depende do risco clínico, não só da ausência de recidiva.
Gabarito: A
Depois da ablação por radiofrequência da fibrilação atrial, a decisão sobre anticoagulação não depende de a arritmia ter “sumido”, mas do risco tromboembólico do paciente. Em outras palavras: o coração pode até entrar em ritmo sinusal, mas o paciente não ganha um passe livre para trombose. A lógica é manter a prevenção de AVC/embolia de acordo com o perfil clínico, e não apenas com o sucesso do procedimento. Neste caso, o homem tem 68 anos, hipertensão e doença vascular periférica (claudicação intermitente), então o escore CHA2DS2-VASc é alto. Isso indica necessidade de anticoagulação oral por tempo indeterminado, salvo contraindicação. A preferência atual, em geral, é por anticoagulante oral direto (DOAC), como apixabana, rivaroxabana, dabigatrana ou edoxabana, por comodidade e bom perfil de segurança em muitos pacientes. A ablação não elimina, por si só, o risco embólico de base. Diretrizes de cardiologia tratam a anticoagulação pós-ablação com foco no risco individual, e não na “cura” da fibrilação atrial. Então, mesmo após procedimento bem-sucedido, quem tem risco elevado continua anticoagulado. Resumo de prova: paciente com FA + alto CHA2DS2-VASc = anticoagulação contínua. É exatamente isso que a alternativa A descreve, por isso ela está correta.