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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Homem de 68 anos, com hipertensão arterial e história de claudicação intermitente de membros inferiores, foi diagnosticado com fibrilação atrial, após atendimento em unidade de emergência por palpitações e dispneia com 2 horas de duração. Durante a avaliação houve reversão espontânea da arritmia e após 2 dias foi submetido a uma ablação percutânea por radiofrequência da fibrilação. O procedimento foi realizado com sucesso e sem complicações. Quanto ao manejo da terapia antitrombótica após o procedimento, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Depois da ablação por radiofrequência da fibrilação atrial, a decisão sobre anticoagulação não depende de a arritmia ter “sumido”, mas do risco tromboembólico do paciente. Em outras palavras: o coração pode até entrar em ritmo sinusal, mas o paciente não ganha um passe livre para trombose. A lógica é manter a prevenção de AVC/embolia de acordo com o perfil clínico, e não apenas com o sucesso do procedimento. Neste caso, o homem tem 68 anos, hipertensão e doença vascular periférica (claudicação intermitente), então o escore CHA2DS2-VASc é alto. Isso indica necessidade de anticoagulação oral por tempo indeterminado, salvo contraindicação. A preferência atual, em geral, é por anticoagulante oral direto (DOAC), como apixabana, rivaroxabana, dabigatrana ou edoxabana, por comodidade e bom perfil de segurança em muitos pacientes. A ablação não elimina, por si só, o risco embólico de base. Diretrizes de cardiologia tratam a anticoagulação pós-ablação com foco no risco individual, e não na “cura” da fibrilação atrial. Então, mesmo após procedimento bem-sucedido, quem tem risco elevado continua anticoagulado. Resumo de prova: paciente com FA + alto CHA2DS2-VASc = anticoagulação contínua. É exatamente isso que a alternativa A descreve, por isso ela está correta.

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