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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 45 anos, masculino, com história, há 5 anos, de trombose venosa profunda de membro inferior esquerdo em topografia de veia femoral. Apresenta, ao exame, edema em membro inferior esquerdo que, segundo relata o paciente, persiste há mais de 3 meses. Realizado, ultrassom doppler mostra veia femoral superficial esquerda com redução da luz, parcialmente recanalizada, com conteúdo heterogêneo com fluxo no centro do vaso. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Gabarito: E

A questão descreve um paciente com antecedente de trombose venosa profunda (TVP) há 5 anos e, agora, com edema persistente no membro inferior esquerdo por mais de 3 meses. Isso já acende a luz para uma sequela crônica, e não para um evento agudo. Em angiologia, quando a TVP deixa dano valvar e obstrução residual, o sangue passa a drenar pior, o membro incha e podem surgir dor, peso, sensação de cansaço e até alterações de pele. Esse conjunto é a chamada síndrome pós-trombótica. O ultrassom Doppler ajuda muito: veia femoral superficial com luz reduzida, parcialmente recanalizada, conteúdo heterogêneo e fluxo central é descrição típica de trombo organizado crônico, com recanalização parcial. Em outras palavras, o vaso não está normal, mas também não está em oclusão recente e “fresca”. O corpo tenta abrir caminhos por dentro do trombo antigo, e o resultado é esse padrão de recanalização parcial. Por isso o gabarito é a alternativa E. A síndrome pós-trombótica é a complicação tardia mais clássica após TVP, decorrente de hipertensão venosa crônica por obstrução residual e insuficiência valvar. Em prova, se o caso fala em história antiga de TVP + edema crônico + Doppler com recanalização, pense primeiro em sequela pós-trombótica. As outras opções caem porque não combinam com o tempo de evolução e com a imagem: TVP aguda costuma ter início recente e trombo mais “novo”; tromboflebite superficial é inflamação/trombose de veias superficiais; lipedema é outra história, geralmente bilateral e sem esse antecedente trombótico. A banca gosta bastante dessa distinção entre evento agudo e sequela crônica, então vale guardar a lógica do tempo.

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