Mulher, 50 anos, trouxe laudo de mamografia digital evidenciando microcalcificações suspeitas em QSE de mama esquerda. Realizada, biopsia de mama revelou hiperplasia atípica. Nesse caso, a conduta correta é
- A)seguimento semestral com mamografia.
Errada, porque hiperplasia atípica na biópsia não deve ser apenas acompanhada, já que há risco de lesão associada mais grave não amostrada.
- B)exérese cirúrgica da lesão com avaliação das margens.
Certa, porque a hiperplasia atípica em lesão suspeita exige exérese cirúrgica para avaliação completa da peça e das margens.
- C)ressecção segmentar com linfonodo sentinela.
Errada, porque linfonodo sentinela não é a conduta inicial para hiperplasia atípica sem diagnóstico confirmado de câncer invasivo.
- D)mastectomia com esvaziamento axilar.
Errada, porque mastectomia com esvaziamento axilar é tratamento excessivo para uma lesão atípica ainda sem comprovação de malignidade invasiva.
- E)quadrantectomia seguida de radioterapia.
Errada, porque quadrantectomia seguida de radioterapia é esquema de câncer de mama já tratado como neoplasia, não de hiperplasia atípica isolada.
Gabarito: B
Microcalcificações suspeitas na mamografia sempre pedem atenção, porque podem ser o primeiro sinal de lesões precursoras ou até de um câncer bem inicial. Quando a biópsia mostra hiperplasia atípica, o recado é claro: a amostra pode ter pegado só a parte menos “bonita” da lesão, e existir um foco mais importante ao redor. Por isso, não se fecha o caso com simples acompanhamento, porque há risco de subdiagnóstico. Nessa situação, a conduta correta é a exérese cirúrgica da lesão com avaliação das margens. A ideia é retirar o local suspeito para examinar a peça toda e ver se havia carcinoma ductal in situ ou invasivo escondido na área biopsiada. Em outras palavras: a biópsia deu um aviso, e a cirurgia vai conferir o que ficou faltando ver. A hiperplasia atípica, tanto ductal quanto lobular, é uma lesão de alto risco e, em muitos casos, uma lesão “fronteira” com neoplasia. A literatura mostra taxa relevante de upgrade na cirurgia após diagnóstico por biópsia percutânea, especialmente quando o achado foi microcalcificação suspeita. Por isso, a conduta padrão é excisão diagnóstica, não vigilância simples. As opções mais agressivas, como mastectomia ou esvaziamento axilar, não se justificam nesse momento, porque ainda não há diagnóstico de câncer invasivo que indique tratamento oncológico amplo. Aqui o raciocínio é bem concurso: achado suspeito + atipia na biópsia = tirar a lesão inteira para não ser enganado pela amostra pequena.