Paciente de 25 anos de idade apresenta tumorações em retroperitônio e pulmões. A biópsia de uma destas tumorações retroperitoneais mostra um tumor de células germinativas não seminomatoso. Devido à gravidade do quadro, imediatamente é iniciada a quimioterapia sistêmica de indução, com regressão importante das lesões metastáticas retroperitoneais e da lesão testicular. Nesse caso, a próxima etapa no tratamento é
- A)manter apenas a quimioterapia, já que a resposta foi favorável.
Errada: a boa resposta à quimioterapia não substitui o controle cirúrgico do tumor primário no testículo.
- B)associar radioterapia.
Errada: radioterapia não é a próxima etapa nesse cenário de tumor germinativo não seminomatoso metastático.
- C)acompanhar a evolução do tumor no testículo para decidir pela orquiectomia ou não.
Errada: não se deve apenas observar o testículo; mesmo após regressão com quimioterapia, o foco primário precisa ser removido.
- D)orquiectomia total.
Certa: após a quimioterapia de indução, a conduta é orquiectomia radical do testículo acometido.
- E)orquiectomia parcial.
Errada: orquiectomia parcial não é o padrão oncológico para tumor germinativo testicular.
Gabarito: D
Nos tumores de células germinativas do testículo, o tratamento costuma seguir uma lógica bem prática: primeiro controlar a doença sistêmica e, depois, retirar o foco primário no testículo. A orquiectomia deve ser feita por via inguinal e é, em geral, radical, porque a lesão testicular funciona como a "raiz" do problema. Em doença metastática grave, como no enunciado, pode ser correto começar com quimioterapia imediatamente para salvar o paciente e reduzir as metástases rapidamente. Só que a boa resposta à quimioterapia não elimina a necessidade de tratar o tumor testicular. Mesmo com regressão importante das metástases e da lesão no testículo, o próximo passo é remover o testículo acometido, porque pode restar tumor viável ou doença residual microscópica. Em oncologia de testículo, não é raro a quimio ser a etapa de urgência e a cirurgia vir em seguida, como quem arruma a casa depois que o incêndio foi controlado. Isso vale especialmente para tumor germinativo não seminomatoso, que tem maior chance de componentes mistos e de comportamento agressivo. A conduta padrão é orquiectomia radical inguinal, nunca biópsia escrotal e, na prática habitual, não se faz orquiectomia parcial como tratamento oncológico padrão. A peça cirúrgica também ajuda no estadiamento e na definição de resposta histológica. Por isso, o gabarito é D. A quimioterapia inicial foi uma medida de urgência diante da gravidade do quadro, mas a próxima etapa correta é a orquiectomia total do testículo primário.