Paciente de 35 anos com quadro de dificuldade para perder peso, cansaço e constipação intestinal. Sem história prévia de doenças crônicas e não faz uso de medicações continuamente. Ao exame apresenta, como alterações significativas, aumento do volume da tireoide, sem identificação de nódulos à palpação. Sinais vitais PA 118 x 89mmHg, FC 54 BPM, IMC 27,5kg/m2 . Assinale a opção que apresenta as alterações esperadas para o quadro dessa paciente.
- A)TSH elevado, T4 diminuído e T3 normal.
Correta, pois o hipotireoidismo primário cursa com TSH elevado e T4 baixo, podendo manter T3 normal no início.
- B)TSH elevado, T4 normal e T3 normal.
Errada, porque TSH alto com T4 e T3 normais sugere hipotireoidismo subclínico, e o caso tem sintomas e sinais de hipotireoidismo franco.
- C)TSH elevado, T4 elevado e T3 elevado.
Errada, pois TSH alto com T4 e T3 elevados aponta para resistência aos hormônios tireoidianos ou adenoma produtor de TSH, não para o quadro descrito.
- D)TSH diminuído, T4 elevado e T3 elevado.
Errada, porque TSH baixo com T4 e T3 altos é o padrão de hipertireoidismo.
- E)TSH diminuído, T4 normal e T3 normal.
Errada, pois TSH baixo com T4 e T3 normais não explica o bócio difuso nem os sintomas de hipofunção tireoidiana.
Gabarito: A
O quadro clínico aponta para hipotireoidismo: dificuldade para perder peso, cansaço, constipação, bradicardia e aumento difuso da tireoide sugerem que a glândula está trabalhando mal, mas ainda reagindo ao estímulo do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Em termos simples, o corpo percebe que falta hormônio tireoidiano e aumenta o TSH para tentar "apertar o acelerador" da tireoide. Quando o problema é primariamente na própria tireoide, o esperado é TSH alto e T4 baixo. Isso acontece porque a hipófise tenta compensar a queda do hormônio circulante, e a tireoide não consegue responder de forma adequada. O T3 pode ficar normal no início, já que o organismo ainda consegue manter esse hormônio por mais tempo, muitas vezes por conversão periférica de T4 em T3. O bócio difuso sem nódulos também combina com essa lógica: a tireoide aumenta de tamanho por estímulo crônico do TSH. A causa mais comum, na prática, é tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune, embora a questão tenha focado mais no padrão laboratorial do que na etiologia. Por isso, o gabarito A está correto: TSH elevado, T4 diminuído e T3 normal. Se voce lembrar da regra de ouro, fica fácil: hipotireoidismo primário = TSH sobe, hormônios tireoidianos caem. A literatura endócrina e diretrizes clínicas seguem exatamente essa lógica fisiopatológica.