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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Idoso de 78 anos é trazido à emergência com suspeita de acidente vascular encefálico de 2,5h de instalação evoluindo com disartria e hemiparesia facio-braquio-crural esquerda. Tomografia de crânio de urgência sem alterações agudas. PA 180 X 100mmHg, FC 100 bpm, sem alterações relevantes ao exame respiratório, abdominal ou cardiovascular. Quanto ao tratamento da condição em questão, é correto afirmar que:

Gabarito: E

Na suspeita de AVC isquêmico agudo, o relógio manda muito: com 2,5 horas de evolução, o paciente ainda está dentro da janela de trombólise, desde que não haja contraindicações. A tomografia sem alterações agudas não exclui AVC isquêmico, porque nas primeiras horas ela pode vir normal ou praticamente normal. Ela serve, nesse momento, principalmente para afastar hemorragia e outras causas que mudariam a conduta. Um ponto clássico de prova é a pressão arterial. Se o paciente vai receber trombólise, a pressão precisa estar abaixo de 185/110 mmHg antes da infusão e, depois, mantida abaixo de 180/105 mmHg. Mas se houver contraindicação à trombólise ou se ela não for feita, não se deve sair baixando a PA de forma agressiva: a conduta costuma ser permissiva, salvo valores muito elevados, porque a queda pressórica pode piorar a perfusão da área de penumbra isquêmica. É exatamente essa a ideia da alternativa E. Em AVC isquêmico agudo, o cérebro ao redor do núcleo infartado ainda pode estar “sofrendo, mas vivo”, e uma redução brusca da pressão pode transformar tecido salvável em lesão definitiva. Em termos práticos, se a pressão não ultrapassa patamares muito altos, você evita mexer demais antes de definir a estratégia de reperfusão. Então, resumindo sem drama de emergência: tomografia normal não exclui AVC, a janela para trombólise está aberta, e o manejo da pressão depende da estratégia terapêutica. A prova está cobrando justamente essa diferença entre tratar e não tratar com trombolítico. Diretriz de AVC isquêmico da American Heart Association/American Stroke Association e protocolos clínicos brasileiros seguem essa lógica de limites pressóricos e de permissão para hipertensão moderada na fase aguda.

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