Paciente com insuficiência cardíaca com fração reduzida (ICFEr), classe funcional III da New York Heart Association, possui exames demonstrando glicose 80 mg/dL; HbA1c 5,0%; ureia 35mg/dL; creatinina 1,2 mg/dL e K+ 4,2 mEq/L. Assinale a opção que apresenta todas as medicações que devem fazer parte do seu tratamento.
- A)Inibidores do receptor da angiotensina/neprilisina, antagonista do receptor de mineralocorticoide e betabloqueador.
Está incompleta, porque faltou o inibidor do SGLT2, que também deve compor o tratamento da ICFEr sintomática.
- B)Inibidores do receptor da angiotensina/neprilisina, antagonista do receptor de mineralocorticoide, betabloqueador e inibidor do cotransporte de sódio-glicose.
Correta, pois reúne as quatro classes pilares do tratamento da ICFEr: ARNI, betabloqueador, antagonista do receptor de mineralocorticoide e inibidor do SGLT2.
- C)Bloqueador do receptor de angiotensinogênio, antagonista do receptor de mineralocorticoide e betabloqueador.
Errada, porque o bloqueador do receptor de angiotensinogênio não substitui o ARNI como pilar preferencial e a alternativa ainda deixa de fora o inibidor do SGLT2.
- D)Bloqueador do receptor de angiotensinogênio, betabloqueador e inibidor do cotransporte de sódio-glicose.
Errada, porque falta o ARNI, que é uma das bases do tratamento da ICFEr, além de o esquema não estar completo sem a terapêutica padrão central.
- E)Inibidores do receptor da angiotensina/neprilisina, betabloqueador e inibidor do cotransporte de sódio-glicose.
Errada, porque omite o antagonista do receptor de mineralocorticoide, que faz parte do tratamento fundamental da ICFEr quando não há contraindicação.
Gabarito: B
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), principalmente quando o paciente está em classe funcional III, o tratamento de base hoje é pensado para reduzir sintomas, internações e mortalidade. Em geral, você lembra do “quarteto” que virou o queridinho das diretrizes: ARNI, betabloqueador, antagonista do receptor de mineralocorticoide e inibidor do SGLT2. Aqui não importa ter diabetes ou não, porque o benefício do SGLT2 na ICFEr independe da glicemia. A diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia e o consenso das diretrizes americanas reforçam esse esquema como terapia padrão para ICFEr sintomática, quando não há contraindicação. Neste caso, os exames ajudam a liberar a medicação: creatinina 1,2 mg/dL e potássio 4,2 mEq/L estão em faixa aceitável para usar antagonista do receptor de mineralocorticoide, e a função renal também permite o uso do inibidor de SGLT2. Como a questão pede todas as medicações que devem fazer parte do tratamento, não basta lembrar de “uma parte” do esquema. Tem que montar o pacote completo. O gabarito é a letra B porque reúne as quatro classes fundamentais para ICFEr sintomática: inibidores do receptor da angiotensina/neprilisina (ARNI), antagonista do receptor de mineralocorticoide, betabloqueador e inibidor do cotransporte de sódio-glicose (SGLT2). Em prova, quando a banca quer testar tratamento da ICFEr, costuma cobrar justamente essa combinação moderna, e não só os remédios mais antigos.