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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Recentemente, alguns hospitais brasileiros viveram um surto de infecções nosocomiais pelo fungo Candida auris, que apresenta resistência a diversos antifúngicos e é de difícil erradicação. Sobre as infecções por Candida em Terapia Intensiva, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Em terapia intensiva, Candida merece respeito, porque ela adora aproveitar a fragilidade do paciente: cateter, antibiótico largo, UTI prolongada, nutrição parenteral... é praticamente o cenário perfeito para o fungo aparecer. O ponto mais cobrado é que nem toda Candida se comporta igual, e as espécies não-albicans ganharam espaço justamente porque muitas delas têm resistência maior a antifúngicos usuais. Na candidemia, o problema não fica só no sangue. Ela pode semear outros sítios, e a endocardite fúngica é uma complicação clássica e grave. Por isso, quando o coração entra na história, o tratamento não costuma ser só medicamento: em geral, associa-se antifúngico sistêmico e avaliação para abordagem cirúrgica, porque a retirada do foco faz diferença real no desfecho. É exatamente por isso que a alternativa C está correta. Em infecção fúngica endovascular, especialmente quando há valva comprometida, vegetação ou material protético, a conduta costuma combinar terapia antifúngica sistêmica com cirurgia. Na prática, isso segue o raciocínio das diretrizes de doenças fúngicas invasivas, que tratam a endocardite por Candida como infecção de alta gravidade e difícil erradicação apenas com remédio. Fique atento a dois macetes: equinocandina não age no ergosterol, e fluconazol costuma precisar de ajuste na insuficiência renal. Em Candida na UTI, o detalhe farmacológico derruba muita gente.

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