Recentemente, alguns hospitais brasileiros viveram um surto de infecções nosocomiais pelo fungo Candida auris, que apresenta resistência a diversos antifúngicos e é de difícil erradicação. Sobre as infecções por Candida em Terapia Intensiva, assinale a afirmativa correta.
- A)Infecção urinária por Candida krusei deve ser tratada com micafungina.
Errada: Candida krusei é tipicamente resistente ao fluconazol, e micafungina não é a melhor escolha para infecção urinária porque as equinocandinas têm baixa concentração na urina.
- B)As equinocandinas têm ação no metabolismo do ergosterol fúngico, interferindo na síntese da membrana celular.
Errada: as equinocandinas inibem a síntese de beta-1,3-D-glucano da parede celular, e não o metabolismo do ergosterol.
- C)Pacientes com candidemia estão sob risco de endocardite fúngica. O tratamento para essa condição, além da infusão de antifúngico sistêmico, é cirúrgico.
Certa: candidemia pode evoluir com endocardite fúngica, e o tratamento costuma exigir antifúngico sistêmico associado à cirurgia em muitos casos.
- D)Nos últimos anos, as infecções fúngicas por Candidas de espécies não-albicans vêm diminuindo.
Errada: as infecções por Candida não-albicans, em geral, vêm aumentando, muito associadas ao uso prévio de antifúngicos e à pressão seletiva na UTI.
- E)O fluconazol é um antifúngico cuja dose não necessita de correção para a função renal.
Errada: o fluconazol é eliminado principalmente pelos rins e, portanto, normalmente precisa de ajuste de dose na insuficiência renal.
Gabarito: C
Em terapia intensiva, Candida merece respeito, porque ela adora aproveitar a fragilidade do paciente: cateter, antibiótico largo, UTI prolongada, nutrição parenteral... é praticamente o cenário perfeito para o fungo aparecer. O ponto mais cobrado é que nem toda Candida se comporta igual, e as espécies não-albicans ganharam espaço justamente porque muitas delas têm resistência maior a antifúngicos usuais. Na candidemia, o problema não fica só no sangue. Ela pode semear outros sítios, e a endocardite fúngica é uma complicação clássica e grave. Por isso, quando o coração entra na história, o tratamento não costuma ser só medicamento: em geral, associa-se antifúngico sistêmico e avaliação para abordagem cirúrgica, porque a retirada do foco faz diferença real no desfecho. É exatamente por isso que a alternativa C está correta. Em infecção fúngica endovascular, especialmente quando há valva comprometida, vegetação ou material protético, a conduta costuma combinar terapia antifúngica sistêmica com cirurgia. Na prática, isso segue o raciocínio das diretrizes de doenças fúngicas invasivas, que tratam a endocardite por Candida como infecção de alta gravidade e difícil erradicação apenas com remédio. Fique atento a dois macetes: equinocandina não age no ergosterol, e fluconazol costuma precisar de ajuste na insuficiência renal. Em Candida na UTI, o detalhe farmacológico derruba muita gente.