Paciente portadora de glioblastoma multiforme, em tratamento oncológico, fazendo uso crônico de dexametasona, por recorrência dos sintomas, apresentando quadro subagudo de diarreia e cólica abdominal. Hoje procura a emergência com queixa de dispneia e intensa sibilância. Exames laboratoriais revelando PCRt elevada, leucocitose discreta e eosinofilia exuberante, com infiltrado migratório ao Rx de tórax. O diagnóstico mais provável é de:
- A)síndrome carcinoide;
Síndrome carcinoide pode dar diarreia e broncoespasmo, mas não explica eosinofilia exuberante nem infiltrado pulmonar migratório em paciente imunossuprimida.
- B)pneumonia eosinofílica;
Pneumonia eosinofílica causa eosinofilia e infiltrado pulmonar, mas não costuma vir com diarreia subaguda e cólica abdominal como pista central do caso.
- C)pneumonia por broncoaspiração;
Broncoaspiração pode causar quadro respiratório agudo e infiltrado pulmonar, porém não justifica eosinofilia importante nem a fase gastrointestinal anterior.
- D)estrongiloidíase disseminada;
Estrongiloidíase disseminada é o diagnóstico mais compatível, porque corticoide crônico, sintomas intestinais, sibilância, infiltrado migratório e eosinofilia apontam para hiperinfecção por Strongyloides.
- E)metástase pulmonar.
Metástase pulmonar pode causar dispneia e infiltrados, mas não explica diarreia, cólica abdominal, sibilância intensa e eosinofilia exuberante.
Gabarito: D
O quadro pede que voce junte as pecas do quebra-cabeca: paciente imunossuprimida pelo uso crônico de dexametasona, diarreia e dor abdominal subagudas, seguida de dispneia, sibilância intensa, eosinofilia exuberante e infiltrado pulmonar migratório. Esse conjunto é bem sugestivo de estrongiloidíase, especialmente quando há hiperinfecção ou disseminação pelo Strongyloides stercoralis. Em quem usa corticoide, o parasita pode se multiplicar sem controle, porque a imunossupressão facilita a autoinfecção e a disseminação para pulmões e outros órgãos. A elevacão de PCR e leucocitose discreta podem aparecer como expressão inflamatória do quadro infeccioso, mas a pista mais forte aqui é a eosinofilia com sintomas gastrointestinais e respiratórios em paciente corticoide-dependente. Na estrongiloidíase, o ciclo do parasita inclui migração pulmonar, o que explica tosse, sibilância, dispneia e até infiltrados migratórios no RX. A fase intestinal costuma dar diarreia, cólica abdominal e, em quadros graves, pode evoluir para hemorragia, íleo e sepse por translocação bacteriana. Em imunossuprimidos, o corticoide é um grande vilão porque pode precipitar hiperinfecção e até síndrome de disseminação, que é uma emergência médica. Por isso, o gabarito D está correto. O caso é praticamente um cartaz de alerta: paciente com corticoide crônico, sintomas gastrointestinais, manifestações pulmonares e eosinofilia marcante. Em prova, quando aparecer esse trio - corticoide + sintomas intestinais + pulmão com eosinofilia -, pense forte em Strongyloides. Os demais diagnósticos até podem lembrar dispneia ou infiltrado, mas não encaixam tão bem esse padrão clínico-laboratorial.