João tem 48 anos, obesidade grau 2 e não sabia ser portador de nenhuma outra comorbidade clínica. Em exame médico admissional para seu novo emprego, foi diagnosticado com hipertensão arterial sistêmica e alteração da glicemia de jejum HGT 118mg/dL. Possui histórico familiar extenso de diabetes. O médico do trabalho optou por ampliar a investigação com novos exames cujos resultados foram: glicemia de jejum 123 mg/dL; hemoglobina glicada (HbA1c) 6,8 e teste de tolerância oral a 75g e glicose (TOTG 75g): 190 mg/dL. Os resultados dos exames sugerem:
- A)apenas intolerância à glicose;
Errada: a glicemia de jejum e o TOTG até sugerem pré-diabetes, mas a HbA1c de 6,8% já ultrapassa o critério de diabetes.
- B)euglicemia;
Errada: não há euglicemia, porque os exames mostram alterações metabólicas claras, inclusive um marcador diagnóstico de diabetes.
- C)diagnóstico de diabetes, já que a glicemia de jejum em segunda medida foi > 120mg/dL;
Errada: glicemia de jejum isoladamente só fecha diabetes se for maior ou igual a 126 mg/dL, e 123 mg/dL ainda fica abaixo disso.
- D)diagnóstico de diabetes, já que HbA1c > 6,5;
Certa: HbA1c maior ou igual a 6,5% é critério diagnóstico de diabetes mellitus, e aqui o valor foi 6,8%.
- E)diagnóstico de diabetes, já que TOTG 75g > 140mg/dL.
Errada: no TOTG, o ponto de corte para diabetes é 200 mg/dL ou mais na 2a hora; 190 mg/dL indica intolerância à glicose, não diabetes.
Gabarito: D
Aqui o ponto-chave é lembrar os critérios diagnósticos do diabetes mellitus. Em geral, o diagnóstico pode ser feito por glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%, TOTG com glicemia de 2 horas maior ou igual a 200 mg/dL, ou glicemia aleatória maior ou igual a 200 mg/dL na presença de sintomas. Quando os resultados não são inequívocos, costuma-se confirmar com nova dosagem ou com outro teste laboratorial, mas aqui já existe um exame claramente dentro da faixa diagnóstica. No caso, a glicemia de jejum de 123 mg/dL sugere alteração da glicemia de jejum, mas ainda não fecha diabetes. O TOTG de 190 mg/dL também não atinge o ponto de corte para diabetes, ficando na faixa de tolerância diminuída à glicose. Já a hemoglobina glicada de 6,8% ultrapassa 6,5%, e isso, por si só, já sustenta o diagnóstico de diabetes mellitus, na ausência de situações que invalidem o exame, como anemia hemolítica ou hemoglobinopatias importantes. Então a resposta correta é a letra D. A banca quer que você enxergue que nem toda glicemia alterada vira diabetes, mas a HbA1c, quando acima do ponto de corte, fecha o diagnóstico. É o tipo de questão em que os valores parecem todos “quase lá”, mas medicina adora esse quase só para confundir mesmo. Em resumo: jejum 123 mg/dL = pré-diabetes/alteração da glicemia de jejum; TOTG 190 mg/dL = intolerância à glicose; HbA1c 6,8% = diabetes. Como a HbA1c está acima de 6,5%, o gabarito é D.