Menina de 13 anos apresenta, nas últimas 3 semanas, tosse persistente, febre baixa vespertina, radiografia de tórax com condensação em base esquerda, sem melhora da imagem após uso de antibioticoterapia por 14 dias; já realizada prova tuberculínica, apresentando leitura > 10mm. Ao ser perguntada sobre contato com alguém diagnosticado com tuberculose, não soube informar. Tendo em vista o sistema de pontuação adotado pelo Ministério da Saúde, assinale a conduta a ser tomada com essa paciente.
- A)Diagnóstico pouco provável por não ter tido contato com paciente positivo.
Errada, porque a ausência de contato conhecido não exclui tuberculose na infância e adolescência, especialmente quando há forte conjunto clínico-radiológico e PPD positivo.
- B)Iniciar tratamento para tuberculose devido a grande possibilidade de diagnóstico.
Certa, porque a pontuação clínica e radiológica do Ministério da Saúde sugere alta probabilidade de tuberculose, justificando iniciar tratamento sem aguardar confirmação bacteriológica.
- C)Solicitar lavado gástrico.
Errada, porque lavado gástrico pode ser útil para confirmação microbiológica em crianças, mas não deve atrasar o início do tratamento quando a suspeita é alta.
- D)Provável diagnóstico, mas aguardar baciloscopia para iniciar tratamento.
Errada, porque baciloscopia negativa ou pendente não deve segurar a conduta quando o quadro é bastante sugestivo e a pontuação favorece tuberculose.
- E)Solicitar radiografia de tórax.
Errada, porque a radiografia já foi feita e repetí-la não resolve a decisão terapêutica diante de um quadro já muito sugestivo.
Gabarito: B
Em tuberculose na infância e adolescência, o diagnóstico muitas vezes não vem com a famosa "cereja do bolo" do escarro positivo. Nessa faixa etária, o Ministério da Saúde aceita um sistema de pontuação clínica e radiológica para estimar a probabilidade da doença quando a confirmação bacteriológica é difícil ou demorada. Ou seja: você junta sintomas, imagem, prova tuberculínica e resposta ao tratamento prévio, e monta o quebra-cabeça. Nesta menina, há tosse persistente por semanas, febre baixa vespertina, condensação em base esquerda sem melhora após antibiótico e prova tuberculínica maior que 10 mm. Esse conjunto pesa bastante para tuberculose pulmonar, mesmo sem relato de contato conhecido. Em pediatria, ausência de contato informado não afasta o diagnóstico, porque muitas vezes o contato não é identificado ou a própria família não sabe relatar. Pelo sistema de pontuação do Ministério da Saúde, quando a soma dos achados aponta alta probabilidade clínica, a conduta é iniciar tratamento para tuberculose, sem ficar esperando baciloscopia para "dar nome e sobrenome" ao caso. Isso é coerente com a lógica do manual de manejo da tuberculose na criança e no adolescente: em casos com forte suspeição, o tratamento pode e deve ser iniciado para não atrasar uma doença que, quando demora, cobra juros altos. Por isso o gabarito é a letra B. Aqui, a combinação de sintomas, imagem persistente e teste tuberculínico positivo sustenta diagnóstico provável o suficiente para tratar.