Como parte das orientações gerais voltadas para pacientes com diagnóstico de doença inflamatória pélvica, recomenda-se a testagem para HIV, sífilis e hepatites virais. Uma jovem paciente apresentou os seguintes resultados: testes para sífilis e HIV negativos. O perfil para as hepatites virais caracterizou-se por: HBsAg não reagente, anti-HBc reagente, anti-HBs reagente, anti-VHC não reagente. Nesse sentido, é correto concluir que a paciente apresenta
- A)infecção aguda pelo vírus da hepatite B.
Errada, porque a infecção aguda pelo vírus B costuma ter HBsAg reagente, e aqui o HBsAg está não reagente.
- B)infecção crônica pelo vírus da hepatite B.
Errada, porque na hepatite B crônica o HBsAg permanece positivo, o que não ocorre neste perfil sorológico.
- C)infecção crônica pelo vírus da hepatite B e pelo vírus da hepatite C.
Errada, porque não há evidência de hepatite C: o anti-VHC está não reagente, e o padrão da hepatite B mostra apenas infecção passada.
- D)contato prévio e imunidade ao vírus da hepatite B.
Certa, porque anti-HBc reagente plus anti-HBs reagente com HBsAg negativo indica contato prévio com o vírus e imunidade natural.
- E)esquema vacinal incompleto para hepatite B.
Errada, porque a vacinação isolada contra hepatite B não gera anti-HBc reagente; ela produz apenas anti-HBs.
Gabarito: D
A leitura dos marcadores da hepatite B é uma daquelas que parece um enigma no começo, mas depois fica bem elegante. Pense assim: o HBsAg mostra infecção ativa; quando ele está negativo, não há sinal de vírus circulando naquele momento. Já o anti-HBc indica contato prévio com o vírus, porque ele aparece após infecção natural, e não após vacina. O anti-HBs, por sua vez, indica imunidade, isto é, defesa adquirida contra a hepatite B. Então, quando você encontra HBsAg não reagente, anti-HBc reagente e anti-HBs reagente, o raciocínio é: a paciente teve contato anterior com o vírus da hepatite B e se recuperou, ficando imune. Esse é o padrão clássico de infecção passada com imunidade natural. O anti-VHC não reagente afasta hepatite C. Esse perfil não combina com infecção aguda, porque na fase aguda o HBsAg costuma estar positivo e o anti-HBs ainda não apareceu. Também não indica hepatite B crônica, já que, nessa situação, o HBsAg permaneceria reagente por mais de 6 meses. E não parece vacinação, porque a vacina gera anti-HBs, mas não anti-HBc. Em termos práticos, a banca quer que você saiba a leitura do trio HBsAg, anti-HBc e anti-HBs. É um clássico de prova: anti-HBc positivo é pista de infecção natural prévia; anti-HBs positivo é sinal de proteção. Juntando os dois, a conclusão é contato prévio e imunidade ao vírus da hepatite B.