A diferenciação entre a miocardiopatia hipertrófica e o coração de atleta é fundamental para determinar o risco de eventuais complicações associadas à prática de exercícios de alta intensidade. Sobre as características clínicas que favorecem o diagnóstico de coração de atleta, em indivíduos com hipertrofia ventricular esquerda, assinale a afirmativa correta.
- A)Manutenção da hipertrofia ventricular esquerda após 3 meses de destreinamento físico.
Errada, porque a persistência da hipertrofia após destreinamento sugere cardiomiopatia hipertrófica, já que o coração de atleta tende a regredir com a suspensão do treino.
- B)História familiar de miocardiopatia hipertrófica.
Errada, porque história familiar de miocardiopatia hipertrófica é um dado que aponta para doença hereditária, não para adaptação fisiológica ao exercício.
- C)VO2 máximo < 45mL/kg/min.
Errada, porque VO2 máximo baixo indica pior condicionamento cardiorrespiratório e não favorece o perfil de atleta treinado.
- D)Padrão assimétrico de hipertrofia ventricular esquerda.
Errada, porque a hipertrofia assimétrica é mais típica de miocardiopatia hipertrófica do que de coração de atleta, que costuma ter padrão mais harmonioso.
- E)Função diastólica do ventrículo esquerdo preservada.
Certa, porque a função diastólica preservada é um achado compatível com adaptação fisiológica do atleta e ajuda a diferenciar de cardiomiopatia hipertrófica.
Gabarito: E
A grande sacada aqui é separar um coração adaptado ao treino de um coração doente. No coração de atleta, a hipertrofia ventricular esquerda costuma ser uma resposta fisiológica ao exercício intenso e, por isso, vem acompanhada de bom desempenho funcional, cavidade ventricular adequada e relaxamento preservado. Já na miocardiopatia hipertrófica, a hipertrofia é desproporcional e pode vir com limitação ao enchimento ventricular, risco arrítmico e história familiar sugestiva. O ponto mais útil para favorecer o diagnóstico de coração de atleta é a preservação da função diastólica do ventrículo esquerdo. Isso combina com uma adaptação benigna ao treinamento: o ventrículo relaxa e enche bem, sem a rigidez típica de muitas cardiomiopatias. Na prática, o atleta pode ter parede espessada, mas não costuma apresentar a mesma repercussão funcional de uma doença miocárdica estrutural. As alternativas erradas tentam confundir justamente com sinais mais compatíveis com miocardiopatia hipertrófica, como história familiar positiva, padrão assimétrico de hipertrofia e persistência da hipertrofia após destreinamento. Outro detalhe: VO2 máximo baixo aponta para menor aptidão cardiorrespiratória, o que vai contra o perfil esperado de atleta bem condicionado. Em resumo: hipertrofia em atleta é adaptação, não sentença. Se a função diastólica está preservada, isso pesa bastante a favor de coração de atleta e afasta, em parte, a ideia de cardiopatia patológica.