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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

A diferenciação entre a miocardiopatia hipertrófica e o coração de atleta é fundamental para determinar o risco de eventuais complicações associadas à prática de exercícios de alta intensidade. Sobre as características clínicas que favorecem o diagnóstico de coração de atleta, em indivíduos com hipertrofia ventricular esquerda, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: E

A grande sacada aqui é separar um coração adaptado ao treino de um coração doente. No coração de atleta, a hipertrofia ventricular esquerda costuma ser uma resposta fisiológica ao exercício intenso e, por isso, vem acompanhada de bom desempenho funcional, cavidade ventricular adequada e relaxamento preservado. Já na miocardiopatia hipertrófica, a hipertrofia é desproporcional e pode vir com limitação ao enchimento ventricular, risco arrítmico e história familiar sugestiva. O ponto mais útil para favorecer o diagnóstico de coração de atleta é a preservação da função diastólica do ventrículo esquerdo. Isso combina com uma adaptação benigna ao treinamento: o ventrículo relaxa e enche bem, sem a rigidez típica de muitas cardiomiopatias. Na prática, o atleta pode ter parede espessada, mas não costuma apresentar a mesma repercussão funcional de uma doença miocárdica estrutural. As alternativas erradas tentam confundir justamente com sinais mais compatíveis com miocardiopatia hipertrófica, como história familiar positiva, padrão assimétrico de hipertrofia e persistência da hipertrofia após destreinamento. Outro detalhe: VO2 máximo baixo aponta para menor aptidão cardiorrespiratória, o que vai contra o perfil esperado de atleta bem condicionado. Em resumo: hipertrofia em atleta é adaptação, não sentença. Se a função diastólica está preservada, isso pesa bastante a favor de coração de atleta e afasta, em parte, a ideia de cardiopatia patológica.

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