O trauma cervical, devido à proximidade de estruturas na região, é de fato complexo, e pode levar a lesões vasculares graves, seja por arma branca, seja por armas de fogo, ou até mesmo por trauma fechado. O conhecimento anatômico da região é muito importante para a suspeição das possíveis lesões vasculares. Sobre o assunto, é correto afirmar que
- A)em um trauma na Zona I, podemos encontrar lesão das artérias carótidas, vertebrais e subclávias.
Certa, porque a Zona I do pescoço pode envolver carótidas, vertebrais e subclávias, além de outras estruturas vasculares profundas.
- B)em um trauma na Zona III, apenas a artéria carótida comum poderá ser lesada.
Errada, porque a Zona III não lesiona apenas a carótida comum, podendo envolver principalmente vasos da porção superior do pescoço, como a carótida interna e ramos relacionados.
- C)em um trauma na Zona II, podemos encontrar lesão das artérias carótidas, vertebrais e subclávias.
Errada, porque a Zona II não inclui as subclávias e vertebrais de forma típica; elas estão associadas sobretudo à Zona I.
- D)a zona I tem como limites a mandíbula e a base do crânio.
Errada, porque esses limites são da Zona III, não da Zona I.
- E)a zona II tem como limites a fúrcula esternal e a cartilagem cricoide.
Errada, porque esses limites correspondem à Zona I, não à Zona II.
Gabarito: A
No trauma cervical, a ideia das zonas serve para localizar melhor quais vasos e órgãos podem estar em risco. Isso ajuda a não examinar o pescoço como se fosse uma peça única, porque ali passa de tudo: carótidas, vertebrais, subclávias, traqueia, esôfago e nervos importantes. A classificação clássica divide o pescoço em 3 zonas. A Zona I vai da fúrcula esternal e clavículas até a cartilagem cricoide. A Zona II fica da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula. A Zona III vai do ângulo da mandíbula até a base do crânio. Em prova, isso cai bastante porque a banca adora trocar os limites das zonas como quem troca etiqueta de pote na geladeira. Por isso, no trauma da Zona I, podem estar envolvidos vasos grandes e profundos, como as artérias carótidas, vertebrais e subclávias, além de estruturas mediastinais. É uma região delicada, de difícil acesso cirúrgico e com alto potencial de gravidade, então a suspeita vascular aqui precisa ser bem forte. O gabarito A está correto exatamente por isso: a Zona I realmente pode envolver lesões das artérias carótidas, vertebrais e subclávias. Esse raciocínio é o clássico da cirurgia do trauma e da anatomia cervical aplicada, muito cobrado em provas de urgência e emergência.