JBC, sexo feminino, 35 anos, procura seu consultório muito angustiada porque em exames de rotina solicitados por sua ginecologista foi evidenciado um nódulo hepático de 5,0 cm. Vinha em uso de contraceptivo oral, prontamente suspenso. Está assintomática. Trazia uma ressonância magnética do abdome, que descrevia a lesão como um nódulo homogêneo, lobulado, não capsulado, com acentuado realce na fase arterial, exceto pela cicatriz central, que demonstrava realce da fase tardia. Nesse caso, você conclui, corretamente, que trata-se de
- A)um hemangioma hepático e não tem relação com o uso do contraceptivo oral.
Errada, porque a descrição da ressonância é típica de hiperplasia nodular focal, não de hemangioma, e hemangioma não tem relação causal com contraceptivo oral.
- B)um hemangioma hepático, tem relação com o uso de contraceptivo oral e necessita tratamento cirúrgico.
Errada, porque não se trata de hemangioma e, além disso, hemangioma não exige tratamento cirúrgico na imensa maioria dos casos.
- C)um adenoma hepático com alto risco de malignização e não tem relação com uso de contraceptivo oral.
Errada, porque a lesão descrita é mais compatível com hiperplasia nodular focal do que com adenoma, e a associação com contraceptivo oral é típica do adenoma, não da HNF.
- D)hiperplasia nodular focal e não tem relação com o uso de contraceptivo oral.
Certa, porque o padrão de imagem com realce arterial e cicatriz central com realce tardio é clássico de hiperplasia nodular focal, que não tem relação direta com contraceptivo oral.
- E)hiperplasia nodular focal, tem relação com uso de contraceptivo oral e necessita de tratamento cirúrgico devido suas dimensões.
Errada, porque a necessidade de cirurgia por tamanho e a relação com contraceptivo oral remetem a adenoma hepático, não a hiperplasia nodular focal.
Gabarito: D
A imagem descrita aponta para hiperplasia nodular focal (HNF): lesão homogênea, lobulada, não capsulada, com realce arterial intenso e cicatriz central que realça tardiamente. Esse conjunto é praticamente a "assinatura" clássica da HNF na ressonância. É uma lesão benigna, muito comum em mulheres jovens e, diferente do adenoma hepático, não costuma ter risco relevante de sangramento ou malignização. O ponto-chave da questão é separar HNF de adenoma e hemangioma. O hemangioma costuma ter realce periférico nodular e preenchimento centrípeto progressivo, não essa cicatriz central típica. Já o adenoma hepático tem associação bem mais forte com uso de anticoncepcional oral, e pode sangrar ou, em alguns casos, ter risco de transformação maligna, principalmente em lesões maiores. Na HNF, o uso de contraceptivo oral não tem relação causal bem estabelecida, e geralmente não há indicação de cirurgia quando a paciente está assintomática e o diagnóstico por imagem é típico. Ou seja, a conduta costuma ser conservadora, com acompanhamento quando necessário, sem drama cirúrgico desnecessário. Por isso, o gabarito é a alternativa D. O caso descreve exatamente uma hiperplasia nodular focal e a banca quer que você reconheça a imagem clássica sem cair na armadilha de associar automaticamente nódulo hepático em mulher jovem com anticoncepcional e adenoma.