Com relação à propedêutica mamária em gestantes, é correto afirmar que
- A)não há necessidade de exame clínico das mamas durante a gestação, devido ao baixo risco nessa população.
Errada, porque o exame clínico das mamas deve ser mantido na gestação, já que não existe proteção absoluta contra doença mamária nesse período.
- B)a mamografia é afetada pelas modificações da gravidez, podendo ter até 50% de falsos negativos.
Certa, porque as alterações da gravidez aumentam a densidade mamária e reduzem a sensibilidade da mamografia, com possibilidade de muitos falsos negativos.
- C)a realização de mamografia é completamente contraindicada em qualquer momento da gestação.
Errada, porque a mamografia não é completamente contraindicada na gestação; ela pode ser usada quando há indicação clínica, com proteção adequada.
- D)a ressonância nuclear magnética das mamas com uso de gadolínio não tem restrições na gestação.
Errada, porque a ressonância com gadolínio tem restrições na gestação e o contraste deve ser evitado, salvo exceções bem justificadas.
- E)as biopsias por agulha das mamas devem ser sempre evitadas, sendo realizadas apenas após o parto.
Errada, porque biópsias por agulha podem ser realizadas na gestação quando há suspeita diagnóstica, não devendo ser automaticamente adiadas para o pós-parto.
Gabarito: B
Na gestação, a propedêutica mamária continua valendo: exame clínico das mamas deve ser feito, porque gravidez não zera o risco de câncer de mama e, além disso, algumas alterações da mama podem esconder lesões. O grande ponto é que a mama gestante fica mais densa e nodular, o que atrapalha a leitura dos exames de imagem. Por isso, a investigação precisa ser cuidadosa, mas não suspensa. A mamografia pode ser realizada quando indicada, embora sofra bastante com as modificações da gravidez e da lactação. A densidade aumentada reduz a sensibilidade do exame, e por isso podem ocorrer muitos falsos negativos, chegando a cerca de 50% em algumas situações. Em termos práticos, isso significa que um exame "normal" não afasta completamente a doença se houver suspeita clínica. Já a ressonância com gadolínio não é liberada sem restrições na gestação, porque o contraste atravessa a placenta e seu uso deve ser evitado, salvo situações muito específicas e justificadas. E biópsia por agulha não deve ser tratada como tabu: se houver suspeita, ela pode e deve ser feita durante a gestação, porque adiar diagnóstico costuma ser pior do que investigar. Então, a banca quis cobrar exatamente a limitação da mamografia na gestante: o exame perde sensibilidade por causa das alterações fisiológicas da gravidez, podendo ter muitos falsos negativos. É uma daquelas questões em que o raciocínio clínico vale mais do que o medo do exame.