Você está em uma emergência pediátrica e vem ao atendimento um menino de 11 anos, o mesmo já realiza tratamento para asma, estava em um churrasco junto à família. Ele iniciou um quadro de broncoespasmo, e a mãe relata tentativa de “resgate” em casa com uso de salbutamol 600mcg, sem melhora, e vem à emergência. Ao exame paciente com tiragem subcostal, retração de fúrcula, fc 125bpm, sibilos difusos e saturação de O2 91%. Nesse caso, assinale a opção que indica corretamente a melhor conduta para esse paciente, de acordo com o GINA (2023).
- A)Máscara de O2 com objetivo de alcançar 94%-98%, salbutamol, ipatrópio e corticoideterapia venosa.
Correta: segue o GINA 2023 para crise aguda moderada a grave, com O2 para 94%-98%, salbutamol, ipatrópio e corticosteroide sistêmico venoso se a gravidade justificar.
- B)Máscara de O2 com objetivo de alcançar 98%-100%, sabutamol e corticoideterapia venosa.
Errada: a meta de 98%-100% não é a recomendada na asma, e falta ipatrópio, que ajuda nas crises moderadas a graves.
- C)Máscara de O2 com objetivo de alcançar 94-98%, sulfato de magnésio, salbutamol.
Errada: o sulfato de magnésio pode ser adjuvante em crise grave/refratária, mas não substitui corticosteroide sistêmico nem completa o esquema inicial.
- D)Máscara de O2 com objetivo de alcançar 98-100%, salbutamol, corticoide inalatório em dose dobrada do uso habitual, ipatrópio.
Errada: a saturação-alvo está incorreta e corticoide inalatório em dose dobrada não é a estratégia de resgate para essa crise.
- E)Máscara de O2 com objetivo de alcançar 94%-98%, corticoide oral.
Errada: corticoide oral sozinho é insuficiente para um paciente com sinais de gravidade e hipoxemia, sem broncodilatador e oxigênio adequados.
Gabarito: A
Na crise aguda de asma, o primeiro passo é pensar como emergência respiratória, não como “apenas mais um broncoespasmo”. No GINA 2023, a prioridade é corrigir a hipoxemia com oxigênio suplementar para manter saturação entre 94% e 98%, enquanto você trata a obstrução de via aérea com beta-2 agonista de curta ação (salbutamol) em doses repetidas e associa ipatrópio nas crises moderadas a graves. Esse menino tem sinais de gravidade: tiragem subcostal, retração de fúrcula, sibilos difusos, taquicardia e saturação de 91%. Além disso, já usou salbutamol em casa sem resposta, o que reforça que ele não está em uma crise leve. Nessa situação, o manejo inicial correto é oxigênio para alvo de 94% a 98%, salbutamol e ipatrópio, mais corticosteroide sistêmico, que pode ser venoso se o quadro for mais grave ou se houver dificuldade para via oral. O objetivo do corticoide é reduzir inflamação e diminuir chance de piora e internação. Não espere “melhorar sozinho” nem trate com oxigênio em excesso, porque saturação de 98% a 100% não é a meta habitual na asma e pode levar você a errar a condução. A pista clássica da banca é essa combinação de hipoxemia + esforço respiratório + falha do resgate domiciliar. O sulfato de magnésio entra como adjuvante em crises graves ou refratárias após a terapia inicial, e não como primeira escolha isolada. Por isso, a alternativa correta é a que reúne oxigênio na faixa certa, broncodilatador de curta ação, ipatrópio e corticoide venoso.