Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) com duas hospitalizações por exacerbação nos últimos 6 meses. O hemograma possui policitemia, leucometria normal e sem eosinofilia. Legenda: LAMA – antagonista muscarínico de longa duração; LABA - agonista beta 2 de longa duração; SAMA - antagonista muscarínico de curta duração; e SABA - agonista beta 2 de curta duração. Seu tratamento nesse momento, deve incluir, além de SABA quando necessário, o uso de
- A)LAMA + corticoide inalatório regular.
Errada: o corticoide inalatório não é a primeira escolha aqui, porque não há eosinofilia e o risco de pneumonia pode superar o benefício.
- B)LABA + corticoide inalatório regular.
Errada: LABA com corticoide inalatório é uma estratégia menos adequada em DPOC sem eosinofilia, especialmente diante de exacerbações recorrentes.
- C)LAMA + LABA.
Certa: a combinação LAMA + LABA é a melhor manutenção neste cenário de DPOC com exacerbações frequentes e sem indicação clara de ICS.
- D)LAMA + LABA + corticoide inalatório regular.
Errada: a tripla terapia com corticoide inalatório fica mais indicada quando há eosinofilia ou exacerbações persistentes apesar da dupla broncodilatadora.
- E)LAMA + SABA.
Errada: SABA é medicação de resgate e não substitui o tratamento de manutenção em paciente com alto risco de exacerbação.
Gabarito: C
Na DPOC, a escolha do tratamento de manutenção depende muito do sintoma e, principalmente, do risco de exacerbações. Quando o paciente já teve exacerbações recorrentes e, neste caso, ainda por cima duas hospitalizações em 6 meses, ele entra em um grupo de maior risco, que pede terapia mais forte do que broncodilatador isolado. O objetivo é manter a via aérea mais aberta e reduzir novas crises, porque hospitalização por exacerbação na DPOC nunca é um bom sinal de tranquilidade. Se não há eosinofilia e também não há um perfil que favoreça corticoide inalatório, não se deve sair colocando ICS por reflexo. Em DPOC, o corticoide inalatório costuma ser reservado para quem tem exacerbações apesar de broncodilatadores e, sobretudo, para pacientes com eosinófilos elevados ou sobreposição com asma. Sem esse marcador, o benefício cai e o risco de pneumonia sobe, então ele não é a melhor aposta inicial. Por isso, o esquema correto é broncodilatação dupla com LAMA + LABA, além de SABA se necessário para alívio rápido. O LAMA segura melhor o tônus colinérgico, o LABA ajuda na broncodilatação sustentada, e a dupla costuma reduzir sintomas e exacerbações melhor do que monoterapia. É o tipo de combinação que faz sentido quando você quer “segurar” a doença sem exagerar na medicação. Assim, o gabarito C está correto porque, neste paciente com exacerbações frequentes e sem eosinofilia, o passo adequado é intensificar com LAMA + LABA, deixando o SABA apenas como resgate.