Paciente de 25 anos do sexo masculino apresenta vômitos após libação alcoólica. Procura Emergência com sangramento vermelho vivo em pequena quantidade. A endoscopia revelou lacerações longitudinais no esôfago. O diagnóstico é
- A)varizes de esôfago.
Errada, porque varizes de esôfago se relacionam com hipertensão portal e costumam causar hematêmese mais importante, não lacerações longitudinais.
- B)síndrome de Mallory-Weiss.
Certa, pois vômitos após álcool com sangramento pequeno e laceração longitudinal no esôfago são o quadro clássico da síndrome de Mallory-Weiss.
- C)lesão de Dieulafoy.
Errada, porque lesão de Dieulafoy é uma anomalia vascular que causa sangramento digestivo alto, geralmente gástrico, sem o padrão de laceração esofágica.
- D)lesão de Cameron.
Errada, porque lesão de Cameron ocorre em hérnia hiatal e se manifesta por erosões/úlceras lineares gástricas, não por ruptura esofágica pós-vômito.
- E)angiodisplasia.
Errada, porque angiodisplasia é malformação vascular, mais associada a sangramento intestinal baixo ou anemia crônica, e não a lacerações no esôfago.
Gabarito: B
Aqui o quadro é bem típico de um vômito forte seguido de pequena hemorragia digestiva alta, com sangue vermelho vivo, logo após libação alcoólica. Quando o esforço de vomitar é intenso, pode ocorrer uma laceração da mucosa na junção esofagogástrica, produzindo sangramento agudo, geralmente autolimitado. Isso descreve a síndrome de Mallory-Weiss, clássica em pacientes após episódios repetidos de náusea e vômito, especialmente com álcool como gatilho. Na endoscopia, o achado mais sugestivo é de lacerações longitudinais no esôfago distal ou na transição esôfago-estômago. Pense em uma mucosa que “rasga” pelo aumento súbito da pressão intraabdominal durante o vômito. O sangramento costuma ser em pequena ou moderada quantidade e pode cessar espontaneamente, embora às vezes exija tratamento endoscópico. O ponto-chave para acertar a questão é ligar três pistas: álcool, vômitos e laceração longitudinal. Isso praticamente aponta para Mallory-Weiss. Já varizes esofágicas, por exemplo, costumam aparecer em contexto de hipertensão portal e sangramento mais volumoso; aqui o enunciado não sugere esse cenário. Então, o gabarito B está correto porque a lesão descrita é a ruptura mucosa por esforço de vômito, e não uma fonte vascular crônica ou uma úlcera de outra topografia. É aquela questão em que a história clínica entrega o diagnóstico antes mesmo da endoscopia.