Assinale a opção que apresenta uma correlação incorreta entre o medicamento e a sua ação na base do tratamento de crise tireotóxica.
- A)Propiltiuracil e a inibição de T4 em T3.
Correta, porque o propiltiuracil inibe a síntese de hormônios tireoidianos e também a conversão periférica de T4 em T3.
- B)Iodeto de potássio e Inibição da liberação hormonal.
Correta, porque o iodeto de potássio bloqueia a liberação de hormônios tireoidianos pela glândula.
- C)Betabloqueadores e o bloqueio da ação adrenérgica.
Correta, porque os betabloqueadores reduzem os efeitos adrenérgicos do excesso de hormônio tireoidiano.
- D)Glicocorticóides e a profilaxia da insuficiência adrenal primária.
Errada, porque glicocorticoides não são usados para profilaxia de insuficiência adrenal primária na crise tireotóxica; eles ajudam na insuficiência adrenal relativa e na redução de T4 em T3.
- E)Metimazol e o bloqueio da síntese hormonal.
Correta, porque o metimazol bloqueia a síntese de hormônios tireoidianos.
Gabarito: D
A crise tireotóxica, ou tempestade tireoidiana, é uma emergência endocrinológica que exige tratamento rápido e em várias frentes. A lógica é simples: primeiro você reduz a produção hormonal, depois bloqueia a liberação, controla os sintomas adrenérgicos e, de quebra, trata a conversão periférica de T4 em T3, que é a forma mais ativa do hormônio. Por isso, o esquema clássico combina antitireoidiano, iodeto, betabloqueador e glicocorticoide. O propiltiuracil tem um detalhe importante: além de inibir a síntese de novos hormônios tireoidianos, ele também reduz a conversão periférica de T4 em T3. O metimazol também bloqueia a síntese hormonal, mas não tem esse efeito periférico tão marcante. Já o iodeto de potássio faz o famoso efeito de bloqueio da liberação hormonal, ajudando a frear a “torneira” da tireoide. Os betabloqueadores entram para controlar taquicardia, tremor, ansiedade e demais efeitos adrenérgicos do excesso de hormônio. E os glicocorticoides são usados porque a crise pode cursar com insuficiência adrenal relativa, além de também ajudarem a diminuir a conversão de T4 em T3. Ou seja, eles não são usados para profilaxia de insuficiência adrenal primária, que é outra história, de outra doença. Por isso, a alternativa errada é a D. O erro está em atribuir aos glicocorticoides uma finalidade de “profilaxia da insuficiência adrenal primária”, quando o papel deles na crise tireotóxica é prevenir/atenuar insuficiência adrenal relativa e contribuir para o controle hormonal periférico.