Um mastologista é chamado para dar um parecer em uma maternidade para avaliar um recém-nascido do sexo feminino com secreção mamária láctea. Nesse caso, assinale a opção que indica a orientação dada pelo mastologista.
- A)Dosar a prolactina sérica do recém-nascido para pesquisar estados hiperprolactinémicos.
Errada, porque a secreção láctea neonatal costuma ser fisiológica e não exige investigação hormonal de rotina.
- B)Realizar ultrassonografia mamária para verificar alterações ductais e nódulos.
Errada, pois ultrassonografia mamária não é necessária em recém-nascido com secreção láctea isolada e sem outros sinais de doença.
- C)Fazer análise citológica da secreção para afastar causas neoplásicas.
Errada, já que citologia da secreção não tem indicação nesse contexto benigno e não agrega na rotina.
- D)Orientar que isso é uma alteração fisiológica, não necessitando de exames ou tratamento.
Certa, porque a secreção láctea em recém-nascido geralmente é uma alteração fisiológica e autolimitada, sem necessidade de exames ou tratamento.
- E)Investigar a mãe para ver possibilidade de metástase intraútero de câncer de mama.
Errada, pois não se deve presumir origem tumoral materna nem metástase intraútero diante de um achado neonatal fisiológico.
Gabarito: D
A secreção mamária em recém-nascido, inclusive com aspecto lácteo, costuma assustar bastante, mas na maioria das vezes é um achado fisiológico e transitório. Isso acontece por influência hormonal materna, principalmente estrogênios e prolactina que atravessam a placenta e estimulam temporariamente a glândula mamária do bebê. É o famoso "leite de bruxa" ou mastite neonatal fisiológica, que não pede investigação sofisticada nem intervenção, desde que não haja sinais de infecção, assimetria importante, massa suspeita ou outras alterações associadas. Na prática, a conduta é simples: orientar a família, evitar manipulação ou compressão das mamas do recém-nascido e observar a evolução. Mexer na glândula só tende a piorar a situação e pode até favorecer inflamação. Então, quando a questão traz um RN com secreção láctea isolada, o melhor raciocínio é reconhecer um fenômeno benigno e autolimitado. É por isso que o gabarito é a letra D. Não há indicação de dosar prolactina, pedir ultrassonografia, fazer citologia da secreção ou sair procurando câncer da mãe. Em concurso, a banca gosta de transformar um achado fisiológico em um "caso clínico dramático", mas aqui o essencial é lembrar: sem sinais de alarme, não se investiga nem se trata. É só orientar e tranquilizar.